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Finlândia

Sociais-democratas reclamam vitória em eleições na Finlândia

SDP vence eleições pela primeira vez desde 1999, mas não é certo se conseguirá formar coligação para governar. Eurocéticos do partido Finlandeses em segundo lugar. Diferença entre os dois é de 0,2%.

Líder do SDP, Antti Rinne, no discurso de vitória em Helsínquia

AFP/Getty Images

O Partido Social Democrata finlandês (SDP na sigla original) venceu as eleições deste domingo por uma curta margem, com apenas 0,2% de diferença face ao segundo partido mais votado, o eurocético e populista Partido dos Finlandeses. O resultado marca a primeira vitória do partido do centro-esquerda finlandês numas eleições legislativas nos últimos 20 anos.

“Pela primeira vez desde 1999 somos o maior partido na Finlândia”, reagiu o antigo sindicalista e líder do SDP, Antti Rinne, no seu discurso de vitória em Helsínquia. “O SDP é o partido do primeiro-ministro”, decretou, quando estavam contados 97% dos votos e o seu partido seguia à frente com 17,8% dos votos, o que equivale a um mandato de 40 dos 101 deputados do Parlamento.

O partido, que fez campanha com base numa mensagem anti-austeridade e de crítica aos cortes impostos pelo Governo anterior, liderado pelo Partido do Centro, reclamou para si a vitória e assumiu a liderança do processo de negociações para formar uma coligação governamental.

Em segundo lugar, e logo atrás, ficou o Partido dos Finlandeses (antigo Verdadeiros Finlandeses), com 17,6% dos votos e menos um deputado. À rádio-televisão pública finlandesa YLE, o líder Jussi Halla-aho deixou claro que o partido está “aberto” a negociar, mas que mantém as suas linhas vermelhas: “Não nos podemos juntar a um partido que não esteja comprometido com a redução da imigração danosa para a Finlândia, esse é um dos pontos”, afirmou.

O resultado é bastante positivo para esta força política, que tinha até agora apenas 17 deputados, depois de uma cisão interna. Os Finlandeses fizeram parte da coligação governamental liderada pelo Partido do Centro, mas a cisão de 2017 levou a que alguns deputados fizessem um novo partido, o Reforma Azul, que manteve o apoio ao Governo, e que nesta eleição se ficou pelos 10% dos votos.

O novo líder dos Finlandeses, Jussi Halla-aho, rompeu com o Executivo e manteve uma linha ideológica mais dura, defendendo o combate à imigração e a crítica a algumas políticas ambientais. “A Finlândia não é capaz de salvar o mundo”, declarou o seu líder na campanha, como recorda o The Guardian, sobre as alterações climáticas.

O ex-primeiro-ministro e líder do Partido Centro, Juha Sipilä, assumiu-se como um dos derrotados da noite, com o seu partido a ficar em quarto lugar, atrás do SDP, dos Finlandeses e do Partido da Coligação Nacional (centro-direita). “Estou muito desiludido e o Centro é o maior perdedor nesta eleição. O povo falou”, declarou Sipilä à YLE. À AFP, o antigo primeiro-ministro culpou as “difíceis decisões económicas” que o seu Governo tomou como responsáveis por este resultado.

Com Sipilä à frente do Governo, o Executivo finlandês aplicou uma série de medidas de austeridade, como o congelamento das pensões, para equilibrar as contas públicas. No mês passado, o primeiro-ministro apresentou a demissão por não conseguir aprovar uma reforma do Estado social.

O líder do SPD e vencedor destas eleições, Ritte, concorreu com uma agenda de ataque às reformas do Partido do Centro, propondo antes aumentos das pensões e reforço do Estado social, compensando esses gastos com “um aumento da base de impostos”. Na noite de domingo, Ritte afirmou à YLE que as prioridades do seu Governo são o combate às desigualdades e a melhoria do sistema de educação.

A abstenção nestas eleições ficou-se pelos 28%, menos 2% do que nas últimas legislativas. A zona da capital, em Helsínquia, registou a maior participação eleitoral, com 77,5% dos eleitores a irem às urnas. A região com maior abstenção foi o arquipélago de Åland, onde votaram 59% dos finlandeses com idade para votar.

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