Transportes

Carreiras suprimidas e limitações à hora de ponta: os efeitos da greve no serviço de transportes

Dos autocarros aos táxis, a greve de motoristas de mercadorias perigosas já está a ter efeito nos serviços de transporte. Saiba as alterações e constrangimentos que vão sendo divulgados.

Gonçalo Villaverde

(Artigo em atualizaçã0)

Ao longo do dia, várias empresas de transporte, dos autocarros aos táxis, estão a atualizar informação sobre alterações e supressões no seu serviço, bem como possíveis constrangimentos no caso de uma continuação da greve dos motoristas de mercadorias perigosas, que começou às 00h00 desta segunda-feira. O que já sabemos até agora sobre os transportes:

  • Transportes nos concelhos do Alto Minho limitados à hora de ponta: um grupo de transportes públicos que serve cinco (Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Caminha) dos dez concelhos do Alto Minho informou a redução de 70% das 140 carreiras diárias. Nos 75 autocarros da Auto Viação Cura e da as carreiras públicas de transporte de passageiros funcionarão apenas entre 7h e as 9h e entre as 17h e as 20h, informou o porta-voz do grupo Cura, Rui Matos, segundo o Jornal de Notícias;
  • Transtejo e Soflusa acionam plano de abastecimento por via marítima: as reservas de abastecimento da Transtejo (que assegura as ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão e Lisboa) apenas permitiam cumprir o transporte de passageiros até às 24h desta quarta-feira, enquanto os da Soflusa (que asseguram a ligação entre o Barreiro e Lisboa) só asseguravam o serviço até as 24h de quinta-feira. Face a isto, as duas empresas acionaram o plano de contingência de abastecimento de combustível através de via marítima para assegurar as ligações fluviais no Tejo;
  • TST suprime carreiras entre Setúbal e Lisboa na quinta-feira: a Transportes Sul do Tejo (TST) decidiu que na quinta-feira não serão efetuadas as carreiras que ligam Setúbal, Palmela e Pinhal Novo a Lisboa, devido à falta de combustível. Numa declaração enviada à agência Lusa, a rodoviária informou que as carreiras rápidas números 561, 562, 563 e 564 serão suprimidas, pelo que os passageiros que pretendam ir para Lisboa terão de procurar um meio de transporte alternativo. As restantes ligações operadas pela TST na Península de Setúbal na quinta-feira “vão circular de acordo com o horário de sábado”, pelo que existirão menos carreiras e horários disponíveis, adianta a empresa. Ainda assim, em Palmela, a TST assegura uma ligação entre a estação rodoviária e a estação ferroviária, para minimizar o impacto nos utentes;
  • Barraqueiro Transportes avança com supressões de carreiras a partir de quinta-feira: a Barraqueiro Transportes vai avançar, a partir de quinta-feira, com supressões até 50% nas carreiras locais, urbanas e interurbanas do serviço público, mas garante a oferta das inter-regionais para Lisboa, disse fonte da empresa. A Barraqueiro Transportes integra as empresas Ribatejana Verde, Barraqueiro Oeste, Mafrense e Boa Viagem, que possuem um total de 380 viaturas e 189 linhas de serviço público. As supressões vão ocorrer principalmente fora dos períodos de ponta,assumindo os primeiros e últimos serviços. As empresas vão manter as carreiras inter-regionais que têm como destino Lisboa, assim como as carreiras que fazem o transbordo para outras ligações rodoviárias ou ferroviárias, para “minimizar os prejuízos aos passageiros”;
  • Sulfertagus tem serviços a funcionar com o horário de fim de semana: o serviço de autocarros da Sulfertagus informou que todas as carreiras vão circular com o horário de sábado, com exceção das carreiras 4F e 2N, que efetuam o horário de dia útil até que seja restabelecido o abastecimento de combustível. Este horário vai manter-se para os dias 19, 20 e 21 de abril;
  • Rodoviária do Tejo prepara redução de carreiras a partir de quinta-feira: a Rodoviária do Tejo vai suprimir, a partir de quinta-feira, algumas carreiras, fora das horas de maior procura, para tentar assegurar combustível para o transporte escolar na próxima semana, disseram fontes da empresa. Serão assegurados os transportes urbanos ao início da manhã e final do dia, mantendo-se apenas alguns dos restantes. Nos interurbanos, serão assegurados apenas “os principais”, com supressão em algumas zonas nos limites dos concelhos e ao meio do dia, adiantou Marco Henriques, da Direção Operacional (DOP) de Santarém da Rodoviária do Tejo;
  • Rodoviária do Alentejo assegura transportes até domingo: a Rodoviária do Alentejo tem reservas de combustível para assegurar os transportes públicos em toda a região até domingo, assegurou à agência Lusa Henrique Tomatas, um dos administradores da empresa. O responsável indicou que a Rodoviária do Alentejo assegura o serviço, “pelo menos, até domingo de Páscoa”, tendo em conta a quantidade de combustível que os autocarros ainda têm nos depósitos e o que está armazenado nos reservatórios da empresa.
  • Transdev admite ser forçada a alterar oferta: A empresa de transporte rodoviário de passageiros Transdev, com 1.500 autocarros, informou que poderá alterar a oferta dos serviços na sequência da greve dos motoristas de matérias perigosas. A Transdev, que atua em todo o país, assegura transporte público sobretudo em concelhos do Norte e Centro do país, onde tem a concessão de transporte escolar, e serviços urbanos e interurbanos;
  • Reserva de combustível da Carris só garante serviço até ao fim de semana: o jornal Público avança que a Carris apenas tem combustível até ao fim-de-semana, mas que a partir dessa altura não consegue garantir a continuidade dos serviços;
  • Gondomarense começa a suprimir autocarros na quinta-feira: a Empresa de Transportes Gondomarense prevê, a partir de quinta-feira, “suprimir” o serviço de autocarro “fora das horas de ponta” para poupar as reservas de combustível. Segundo disse Manuel Batista, que gere a empresa, ao Jornal de Notícias, a Gondomarense “tem combustível porventura até domingo ou segunda-feira”;
  • Rodoviária do Oeste reduz serviços ao mínimo para assegurar transporte escolar: a Rodoviária do Oeste admitiu reduzir os serviços ao mínimo nos próximos dias, para garantir o transporte de alunos no regresso às aulas;
  • CP diz que a situação pode evoluir “desfavoravelmente”: a CP – Comboios de Portugal disse ao jornal Público que “até ao momento não existe ruptura de combustível”, mas que no contexto atual “a situação poderá evoluir desfavoravelmente”;
  • STCP tem diesel para o funcionamento da frota no imediato: a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) adiantou na terça-feira à Lusa ter combustível diesel para o funcionamento da sua frota “no imediato” tornando-se, contudo, “essencial e urgente” o reabastecimento a curto prazo. A empresa referiu que das 419 viaturas que compõem a sua frota, apenas 38% são movidas a diesel. As restantes são a gás natural e 100% elétricas;
  • Rede Expressos assegura serviços para esta madrugada e manhã de quinta-feira: os serviços dos autocarros da Rede Expressos estão “a ser operados na totalidade”, confirmou a empresa de transportes através do Twitter. Estes autocarros fazem o serviço de transporte para vários pontos do país e, numa altura em que se aproxima o fim de semana da Páscoa, são especialmente requisitados. Segundo o jornal Público, a empresa espera conseguir assegurar a operação até domingo, embora admita que possa suprimir alguma ida e volta em destinos com maior frequência;
  • Uber alerta utilizadores para possíveis condicionamentos do serviço: numa mensagem enviada aos utilizadores, a Uber informou que, como consequência da greve, “os serviços disponibilizados através da aplicação Uber poderão apresentar condicionamentos temporários” . A plataforma referiu ainda que os clientes podem recorrer a soluções alternativas, como o UberGreen ou uma bicicleta Jump;
  • Paralisação está a provocar congestionamentos nos táxis: um dos representantes do setor do táxi, o presidente da ANTRAL, Florêncio Almeida, disse à TVI24 que a paralisação já está a provocar constrangimentos no setor dos táxis. “Tenho conhecimento de vários táxis que já estão a ter grandes dificuldades em abastecer”, disse Florêncio Almeida, que considera que “há atividades que não se compadecem estar tantas horas paradas” e que o “o governo devia destinar certos postos para serviços prioritários”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: cpeixoto@observador.pt
Inovação

Web Summit e provincianismo

Fernando Pinto Santos

Porque é a investigação académica tão desconsiderada em Portugal? Talvez porque moldes ou toalhas não sejam tão glamorosos como uma app com um nome estrangeiro numa conferência com o nome de Summit.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)