No verão de 2015, após perder o título na final com o Benfica, o futsal do Sporting começou um novo ciclo com uma aposta forte em três italo-brasileiros (Merlim, Cavinato e Fortino) e o regresso a Portugal de Marcão, guarda-redes que estivera no Kairat e que antes passara por Belenenses e Benfica. A partir daí, foi sempre campeão nacional, repetindo o segundo tri da história. Mas, tão ou mais importante, habituou-se a ir à final da Liga dos Campeões – neste caso, sem sucesso. Todos os anos havia retoques no plantel, eram tentadas fórmulas diferentes, mas o resultado não mudava; agora, uma das principais apostas passou por uma troca na baliza, com a contratação do internacional brasileiro Guitta, número 1 da seleção e do Corinthians.

O Sporting, como outras equipas espanholas, foram sempre tentando perceber as condições para uma eventual contratação de Higuita, brasileiro agora cazaque de 32 anos que passou também por Portugal (jogou no Belenenses em 2010/11) e que, não só pela capacidade entre os postes mas também pelo jogo de pés que permite ao Kairat jogar em vários momentos com 5×4. Os valores, esses, mostraram-se sempre incomportáveis para os cofres de qualquer aspirante ao título europeu. Esta tarde, numa luta particular que houve entre guarda-redes, Guitta provou que Higuita pode ser um dos melhores (ou o melhor, na última eleição do Futsal Planet) mas não é único – e o brasileiro dos verde e brancos, considerado o terceiro do mundo, foi o número 1. E, curiosamente, Cavinato e Alex Merlim foram os autores dos golos leoninos (Fortino saiu no último verão).

Depois de três finais perdidas (uma com o Montesilvano em 2011, duas com o Inter em 2017 e 2018), o Sporting conseguiu finalmente quebrar a barreira de chegar ao título europeu no futsal, uma das poucas modalidades de eleição do clube que ainda não tinham alcançado esse objetivo, tornando-se também a segunda equipa portuguesa a levantar o principal troféu depois do triunfo do Benfica em 2010 frente ao Inter numa final realizada no então Pavilhão Atlântico. Para isso, o conjunto de Nuno Dias voltou a fazer uma exibição quase perfeita frente ao Kairat, vencendo por 2-1 em Almaty.

Com zonas de pressão altas sempre que possível para evitar que Higuita pudesse sair da baliza para jogar em 5×4 (a grande arma desta equipa para se sagrar campeã europeia em 2013 e 2015), foi o Sporting a beneficiar das melhores oportunidades nos primeiros cinco minutos, com Higuita a travar remates de Cavinato e Deo, e Dieguinho a falhar ao segundo poste após passe de Merlim. Guitta também teve algumas intervenções mas os leões pareciam estar bem mais confortáveis no jogo, algo que só mudou de figura nos últimos minutos antes do intervalo, quando Taynan e Higuita tiveram remates perigosos à baliza leonina. Pelo meio, Dieguinho, após trabalho individual como pivô, ficou também perto de inaugurar o marcador.

O intervalo chegou sem golos mas essa realidade não demoraria muito no arranque do segundo tempo, com Cavinato a concluir na área um grande trabalho de Cardinal logo no segundo minuto. A jogar em casa, o Kairat tentou reagir mas foi continuando a acusar em demasia o facto de jogar a final em “casa”, encontrando em Guitta um muro sempre intransponível e vendo ainda o talento individual de Alex Merlim a fazer a diferença na frente, com um remate fortíssimo ao ângulo superior da baliza de Higuita que fez o 2-0, vantagem importante na antecâmara de um período em que os cazaques iriam arriscar mais o 5×4.

A partir daí, e de forma assumida, o Sporting praticamente não teve bola e preocupou-se sobretudo em travar um ataque do Kairat sempre em superioridade numérica com o avançar de Higuita, conseguindo ainda assim saídas muito perigosas que por pouco não deram golo tendo Cardinal e Erick como intervenientes. Guitta foi mantendo a baliza inviolável até pouco mais de dois minutos do final do encontro, altura em que Douglas conseguiu reduzir a desvantagem para 2-1 com um remate colocado de fora da área. Ainda assim, os leões aguentariam a vantagem e um título histórico para o clube.