O pensamento de Sporting e FC Porto (e também Benfica) já se começa a concentrar na Final Four da Liga Europeia, no próximo fim de semana, com duas escaldantes meias-finais no Pavilhão João Rocha que juntam rivais de Lisboa e ainda os finalistas da última edição (os dragões e o campeão Barcelona). Até porque, apesar de faltarem três jornadas para o final do Campeonato, as contas começam a ficar cada vez mais a cair para os azuis e brancos, que têm três pontos de avanço para leões e Oliveirense. Pelo meio surgiam os quartos da Taça de Portugal. E logo com um jogo grande em Alvalade que virou tradição.

Com o Campeonato e a Liga Europeia como principais objetivos da temporada, a competição tem um gosto especial para os dois conjuntos. No caso do Sporting, que andou entre o acaba-não-acaba-desce-não-desce durante vários anos, trata-se de uma prova que os leões não conseguiam vencer já desde o longínquo ano de 1990, quando o conjunto então comandado por José Carlos superou Benfica e Óquei de Barcelos na Final Four. Do lado do FC Porto, conjunto com mais triunfos, é a competição que os azuis e brancos conquistaram nos últimos três anos, o que permitiu passar para a frente do Benfica no número de troféus (17-15). Com outra curiosidade: nas últimas três edições da prova, Sporting e FC Porto defrontaram-se sempre antes da Final Four, com triunfo para os dragões na Invicta em 2017 (8-3) e em Alvalade no ano passado (5-5, com 3-0 nos penáltis).

Agora, à terceira foi mesmo de vez: depois de um encontro eletrizante onde os dragões estiveram quase sempre em vantagem mas os leões foram conseguindo igualar o resultado, o Sporting assegurou a passagem à Final Four da Taça após derrotar o FC Porto por 8-7 após prolongamento. Ainda assim, nem tudo foram boas notícias para o conjunto verde e branco: num lance de choque com o também argentino Reinaldo Garcia, Gonzalo Romero, uma das contratações mais sonantes para a nova temporada, teve de deslocar-se ao hospital com suspeitas de fratura no braço, devendo falhar o que resta da temporada.

Depois de um início de clássico mais tático e sem grandes aventuras no plano ofensivo em detrimento do equilíbrio e da atenção às transições contrárias, os últimos cinco minutos da primeira parte trouxeram os três golos iniciais: Telmo Pinto, internacional português que deverá reforçar o Sporting na próxima época, inaugurou o marcador (20′) e, logo a seguir, Hélder Nunes aumentou a vantagem do conjunto de Guillem Cabestany. Na resposta, Toni Pérez reduziu num lance muito protestado pelos dragões, com o guarda-redes Nelson Filipe a ver o cartão azul no seguimento do 2-1. Também Ferrant Font veria o azul ainda antes do intervalo, sem que nenhuma conseguisse fazer funcionar mais o marcador até ao descanso.

No segundo tempo, e por mais do que uma vez, o FC Porto pareceu ter o jogo na mão mas o Sporting encontrou sempre forças para se manter dentro do resultado até ao prolongamento: depois do 3-1 de livre direto por Hélder Nunes, na sequência de um cartão azul a Romero (lesionado nesse lance), Ferrant Font reduziu também de livre direto após a décima falta dos visitantes (no mesmo minuto, Pedro Gil tinha desperdiçado a hipótese pelo cartão azul a Reinaldo Garcia) mas o capitão portista voltou a não desperdiçar de bola parada, aumentando para 4-2 a pouco mais de dez minutos do final do encontro.

Com dois golos no mesmo minuto (16′) de Raúl Marin e Matías Platero, a equipa de Paulo Freitas chegou ao empate mas seria sol de pouca dura, com Gonçalo Alves e Hélder Nunes, numa altura em que os dragões jogavam em power play por mais um cartão azul a Font, a recolocarem os dois golos de diferença no resultado (20′). Toni Pérez, pouco depois, apontou o 6-5 mas seria outro espanhol, neste caso Raúl Marin, a levar a decisão para o prolongamento com um remate colocado a 45 segundos do fim do tempo regulamentar. Hélder Nunes, a abrir o tempo extra, fez o 7-6 com um remate de muito longe que traiu Girão mas Platero e Marin, o último em power play, fizeram a reviravolta final que apurou o Sporting.

Com este resultados, os leões irão defrontar agora o Benfica na Final Four da Taça de Portugal, a 1 e 2 de junho, depois dos encarnados terem conseguido vencer na Luz o Juventude de Viana por 7-4 com quatro golos de Jordi Adroher. Na outra meia-final, a Oliveirense, que conseguiu evitar a derrota em São João da Madeira com a Sanjoanense a cinco segundos do final do tempo regulamentar antes de passar nos penáltis (10-9), terá pela frente o Riba d’Ave, que venceu o Paço de Arcos (7-5).