Uma expedição francesa a bordo do navio Marion Dufresne e coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França descobriu no Oceano Índico aquela que poderá ser a maior erupção subaquático jamais observada. Trata-se do nascimento, em apenas seis meses, de um vulcão de 800 metros de altura, cinco quilómetros de diâmetro e com uma coluna de fluídos vulcânicos de dois quilómetros de altura que não atingem a superfície, muito perto da ilha francesa de Mayotte, entre o continente africano e Madagáscar.

Os investigadores, conta a National Geographic Brasil, acreditam que é aqui que poderá estar a causa de um estranho tremor de terra de baixa frequência que em novembro do ano passado percorreu vários quilómetros e despertou a atenção de cientistas, mas também pelo conjunto de terramotos que a ilha tem vindo a sentir nos últimos tempos, incluindo um de magnitude de 5.8, o mais forte alguma vez registado naquela região. Ao todo, estes pequenos terramotos terão afundado a ilha 13 centímetros e deslocando-a 10 centímetros para Este no último ano. “Nunca vimos nada assim”, referiu Nathalie Feuillet, líder da expedição do Marion Dufresne, citada pelo ABC.

“Com vista a esta descoberta, o governo está totalmente mobilizado para acompanhar e aprofundar o nosso entendimento sobre este fenómeno excecional e para tomar as medidas necessárias para classificar e prevenir quaisquer riscos que ela representa”, disse a expedição em comunicado, alertando, no entanto, que ainda é precoce fazer conclusões sobre este fenómeno enquanto os cientistas continuam a analisar os resultados que recolheram.

Mayotte faz parte do arquipélago das Comores, um conjunto de ilhas vulcânicas localizado a noroeste de Madagáscar. Apesar de o fenómeno vulcânico não ser novo na região, a informação acabou por causar alguma surpresa, pois o arquipélago está “adormecido” há vários anos: a última erupção vulcânica por aqui aconteceu há mais de 4 mil anos.

Robin Lacassin, um investigador do Institut de Physique du Globe de Paris e um dos especialistas envolvidos na descoberta, publicou duas imagens no Twitter. Numa delas, o investigador mostra como a equipa detetou o vulcão recém-nascido através de visualização acústica. Por outras palavras, “é quase como um exame de ultrassom de uma mulher grávida, só que com barras de erros maiores”, explicou o investigador, citado pelo National Geographic.

A equipa começou a sua expedição em fevereiro, quando colocou seis sismómetros no fundo do Oceano Índico, a 3,5 quilómetros de profundidade e próximo dos focos de atividade sísmica. O mapa que os investigadores conseguiram elaborar do fundo do mar indica que foram “lançados” cerca de cinco quilómetros cúbicos de magma no fundo do mar, tendo o equipamento também detetado plumas de água ricas em bolhas a sair do vulcão.

Para fazer a devida avaliação, a equipa recolheu também amostras de água das plumas e chegou a recolher algumas rochas que saíram do vulcão recém-nascido.

Segundo o Africa Times, as autoridades de Mayotte vão fornecer aos seus habitantes um relatório de risco dentro de três meses e confirmaram o “fortalecimento do sistema de planeamento e preparação de gestão de crises”, uma vez que há o medo de que estes terramotos provoquem um tsunami. Na altura em que estes terramotos começaram a surgir, os especialistas pensavam tratar-se de um efeito da movimentação de rocha derretida.

(Artigo editado às 10h23 com a correção da altura do vulcão)