A satisfação global dos utentes com os centros de saúde desceu ligeiramente entre 2014 e 2019, o que acontece pela primeira vez desde o ano 2000, segundo um inquérito realizado pela Deco Proteste a quase cinco mil pessoas.

O inquérito, publicado na edição de junho da revista Teste Saúde, mostra que este é o primeiro ano em que os valores de satisfação com os centros de saúde não sobem em relação aos inquéritos anteriores, sobretudo devido ao aumento dos tempos de espera para consultas.

Com questionários feitos a quase cinco mil portugueses, o estudo mostra que a satisfação global desses utentes com os centros de saúde este ano foi de 61 valores em 100, quando na última análise, em 2014, era de 62 em 100.

Trata-se do quinto inquérito feito desde 2000, sendo que foram registadas subidas na satisfação em 2004, em 2009 e em 2014. Este ano foi a primeira vez que se identificou uma ligeira descida na satisfação.

O “elevado tempo de espera” por consulta com o médico de família mostrou este ano “sinais de agravamento” face ao último estudo de 2014.

Quase um terço dos inquiridos – 31% – revelaram esperar mais de um mês por uma consulta, sendo que 11% deles esperaram dois meses ou mais.

Em 2014 eram 29% os utentes que indicavam ter esperado mais de um mês. Ainda assim, os 31% deste ano ficam abaixo dos 33% de utentes que esperavam mais de um mês por consulta há dez anos, em 2009.

Os utentes inquiridos aguardam em média 28 dias entre a marcação, sendo a média de espera de 41 dias para os que não têm médico de família, uma realidade que afeta cerca de 700 mil portugueses.

Segundo o artigo da Teste Saúde, o Norte é a região com resposta mais lenta (32 dias, em média) e o Alentejo a que tem menos demora (20 dias).

Apesar de ter descido a satisfação global com o centro de saúde, aumentou a satisfação com o médico de família, sendo os dados de 2019 os mais elevados dos cinco inquéritos realizados nos últimos quase 20 anos.

O valor de satisfação com os médicos de família foi de 76 em 100 e a satisfação com a enfermagem foi de 72 em 100.

Mais baixa é a satisfação com os serviços administrativos – 61 em 100 -, ainda assim também o valor mais alto de todos os inquéritos já realizados pela Deco Proteste.

Quanto aos utentes sem médico de família, quase um quarto indicou que perdeu o médico por ter estado muito tempo sem marcar consulta, decorrente de uma alteração legislativa em 2015 que impôs perda de médico a utentes que não tivessem contacto com os centros de saúde durante três anos. Entretanto, em 2017, esse prazo foi alargado para cinco anos.

O inquérito da Deco Proteste revela ainda que “o recurso à internet ainda não entrou na rotina da maioria dos inquiridos”, sendo que só um quarto revelou ter agendado uma consulta ‘online’, apesar de isso ser possível através da área do cidadão do portal do SNS.

Quanto à duração da última consulta que teve com o médico de família, mais de sete em cada dez inquiridos dizem que a consulta demorou menos de 20 minutos, 46% referem que durou entre 11 e 20 minutos, 20% entre seis a dez minutos e 6% indicam que demorou até cinco minutos.

Em 21% dos casos, a última consulta demorou entre 21 minutos e meia hora e 7% dos inquiridos indicam que demorou mais de meia hora.

A Deco Proteste enviou os inquéritos entre outubro e novembro de 2018 e recebeu 4.958 respostas válidas, que englobam utentes de 50 agrupamentos de centros de saúde.