Depois do equilíbrio que marcou o primeiro encontro da meia-final do Campeonato de basquetebol entre Benfica e FC Porto na Luz, com a vitória a cair para os encarnados nos minutos finais por 89-92, o jogo 2 desta série do playoff foi daqueles onde tudo o que podia correr bem às águias correu ainda melhor e tudo o que podia correr mal aos dragões correu ainda pior (84-61). Os lisboetas ficavam apenas a um triunfo de garantirem o acesso à final e uma espécie de “vingança” do afastamento precoce do ano passado mas havia também uma questão de orgulho à mistura no jogo 3 realizado no Dragão Caixa.

Ao longo de 40 minutos, a questão mental e a experiência acabaram por fazer a diferença. Houve muito mérito dos conjuntos em termos defensivos, com uma pontuação mais baixa do que tem sido habitual nos clássicos da presente temporada, mas a maior diferença seria feita em dois outros pontos: a experiência para gerir a vantagem nos últimos minutos por parte dos encarnados e o receio que os azuis e brancos tiveram de falhar nos momentos decisivos. Contas feitas, o FC Porto termina a época com a conquista da Taça de Portugal e falha à fase decisiva pela primeira vez nos últimos sete anos sempre com Moncho López no comando, ao passo que o Benfica, agora com Carlos Lisboa, vai poder lutar pelo regresso aos triunfos no Campeonato.

Ao contrário do que aconteceu nesse segundo jogo, e numa ideia comum às duas equipas, as percentagens mais baixas de lançamento acabaram por condicionar o primeiro período, que terminou com os dragões em vantagem por apenas um ponto (17-16) em reflexo também da superioridade que as defesas foram conseguindo face aos ataques. No entanto, nos dez minutos seguintes até ao intervalo onde os encarnados alcançaram a maior diferença da metade inicial (30-25, com um parcial de 9-0 nessa fase do encontro), houve uma ligeira melhoria dos dois conjuntos entre alguns turnovers, com um ascendente inicial do Benfica a que o FC Porto respondeu de seguida da melhor forma. No descanso, águias na frente por um ponto (38-37).

No reatamento, os dragões voltaram a ter um arranque prometedor que lhes permitiu passar para a frente e criar uma mini vantagem de quatro pontos com pouco mais de três minutos jogados (47-43) mas um triplo de Fábio Lima e mais um cesto de dois de Micah Downs voltaram a equilibrar umas contas que terminariam outra vez com as equipas muito juntas no resultado (56-54 para os encarnados), deixando tudo em aberto para os últimos dez minutos do encontro.

Depois de novo reatamento com ascendentes repartidos, o Benfica conseguiu “cavar” uma vantagem de seis pontos (64-58) que poderia tornar-se decisiva mas o FC Porto ainda teve pulmão suficiente para ir buscar o resultado e empatar a partida com um triplo de Pedro Pinto que fez o 66-66 antes de Downs e Gladness voltarem a colocar a diferença em duas posses de bola que, com a experiência do argentino Juan Pablo Cantero e do capitão Tomás Barroso, foram geridas até ao 77-68 final que colocou os encarnados na fase decisiva do Campeonato frente à Oliveirense, líder da fase regular.