A Liga de basquetebol tem caminhado nos últimos anos para um sentido mais afunilado onde, nas meias-finais do playoff, marcam presença de forma quase garantida Oliveirense, Benfica, FC Porto e uma quarta equipa que vai variando consoante os momentos das restantes formações na época. Também por isso, esta é a quarta ocasião consecutiva em que encarnados e azuis e brancos se cruzam nesta fase decisiva a eliminar, seja nas meias e na final. E havia um ponto que dava, apenas no plano da história recente, uma confiança extra aos dragões na capacidade em reagir à derrota na passada sexta-feira na Luz.

Tirando a final de 2016/17, onde o Benfica conseguiu ir arrancar duas vitórias ao Dragão Caixa antes de fazer a festa do título (o sétimo em nove anos) na Luz com um triunfo por 30 pontos de diferença com o FC Porto, os clássicos entre os dois rivais tiveram triunfos repartidos nas duas primeiras partidas, como aconteceu na final de 2015/16 (vitória final dos azuis e brancos por 3-1) ou nas meias da última época (com triunfo final dos dragões no quinto e último jogo, antes de perder a final com a Oliveirense). No entanto, a história existe muitas vezes para ser contrariada e foi isso que aconteceu este domingo, onde bastaram apenas dez minutos para se perceber que dificilmente os encarnados deixariam de fazer prevalecer o “fator casa”.

Com triplos consecutivos de Micah Downs e Juan Pablo Cantero, Moncho López foi obrigado a pedir um desconto de tempo logo nos minutos iniciais da partida perante a vantagem de oito pontos que o Benfica conseguiu criar logo a abrir (10-2). Por um lado, o ataque do FC Porto não conseguia encontrar soluções para ultrapassar a defesa agressiva do conjunto de Carlos Lisboa, somando apenas seis pontos nos sete minutos iniciais do jogo; por outro, as águias apresentavam uma percentagem de eficácia nos lançamentos exteriores bem acima do normal, aumentando o avanço com mais triplos de Micah Downs, Arnette Hallman e Álex Suárez que chegaram a dar 16 pontos de vantagem (28-12) antes do final do primeiro período (28-16).

No segundo período, o FC Porto ainda tentou um esboço de reviravolta no arranque com a redução da desvantagem para oito pontos (30-22) perante a melhoria ofensiva muito apoiada no crescimento de Pedro Pinto no encontro mas um triplo de Tomás Barroso voltou a anular essa reação (33-22, nesta altura com Micah Downs já nos 15 pontos), com o intervalo a chegar com 42-28 depois de mais dois triplos de Fábio Lima e Barroso que mantiveram os índices de eficácia no tiro exterior.

Mais do que os problemas defensivos, Moncho López tinha como maior desafio no descanso encontrar soluções novas no ataque que conseguira apenas 28 pontos nos 20 minutos iniciais. De certa forma, conseguiu: o FC Porto teve outra qualidade nas saídas rápidas e no ataque organizado que colocou o número de pontos marcados mais perto do nível que é comum nos azuis e brancos. No entanto, o Benfica, mesmo baixando a eficácia de lançamento, continuou a marcar de fora nos momentos importantes, como aconteceu a abrir com os triplos de Micah Downs e Tomás Barros a darem a maior vantagem até ao momento (48-30). E para piorar ainda mais o cenário para os dragões, Moncho foi expulso do banco por protestos quando faltavam ainda mais de três minutos para o final do terceiro período, que terminou com a vantagem dos encarnados por 63-45.

Com mais minutos para jogadores habitualmente menos utilizados e que tiveram os pais como símbolos da principal geração de sempre do basquetebol do Benfica (Rafael, filho de Carlos Lisboa, e Jacques Conceição, filho de Jean Jacques) e muitos protestos por parte dos azuis e brancos, em especial João Soares que foi sancionado também com uma falta técnica, o jogo tornou-se menos interessante em termos qualitativos também com algumas “picardias” entre atletas à mistura mas os encarnados mantiveram a liderança no marcador e aumentaram o fosso entre os dois conjuntos para 25 pontos a cinco minutos do final, carimbando o segundo triunfo nesta meia-final por 84-61 com Rafael Lisboa a dar show… nas assistências, levando por mais do que uma vez no último período os adeptos encarnados a aplaudirem de pé. De referir que, na outra meia-final, a Oliveirense voltou a bater a Ovarense agora por 94-68 e ficou também a um triunfo da presença na eliminatória decisiva.