O processo movido por Kathryn Mayorga contra Cristiano Ronaldo, depois de uma alegada violação, passou para um tribunal federal, no Nevada, depois de as autoridades terem tido dificuldades em notificar Cristiano Ronaldo. A última decisão neste processo, segundo documentos a que o Observador teve acesso, é de 9 de abril e respondia a um pedido do advogado de Mayorga: notificar o futebolista português por edital. O magistrado que decidiu o caso optou por alargar o período de resposta por parte das autoridades italianas para 180 dias.

A queixa deu entrada no tribunal distrital do Nevada a 27 de janeiro de 2019, precisamente quatro meses depois de ter sido apresentada no tribunal estadual que não conseguiu notificar Cristiano Ronaldo do processo. Neste caso concreto estão em causa todos os danos psicológicos sofridos Kathryn — depois de uma alegada violação ocorrida em 2009 — e de um acordo com uma equipa de advogados que a defesa considera “fraudulento”. A vítima queixa-se, ainda, de difamação por causa das respostas dadas por parte de Ronaldo quando o caso foi tornado público em 2017.

Esta manhã de quarta-feira a Bloomberg avançava que a queixa contra Ronado tinha sido discretamente retirada, dando a entender que poderia ter havido um acordo entre as partes. Mas, afinal, a queixa passou para um outro patamar e prossegue, como aliás alertou o jornalista da revista alemã Der Spiegel, Rafael Buschmann‏. De salientar que este é um processo cível.

Paralelamente corre o processo-crime que se encontra nas mãos da Polícia de Las Vegas, que ainda recentemente, segundo a imprensa internacional, informou que ia pedir ao jogador que fizesse exames de ADN. Estes resultados servem para cruzar com os exames que Mayorga fez ainda em 2009 no hospital, horas após a alegada violação, quando disse à polícia ter sido abusada por um jogador profissional famoso sem nunca dizer quem era.

A notícia de que a queixa teria sido retirada

Esta manhã de quarta-feira a Agência Bloomberg  avançou que o tribunal Estadual do Nevada, em Las Vegas, teria recebido um documento que sustentaria uma retirada da queixa, mas em reação Buschmann (jornalista que investigou casos do football leaks, nomeadamente o caso de Ronaldo)‏ esclarecia na rede social Twitter que a queixa não teria sido retirada mas sim recolocada no Tribunal Federal.

Na queixa apresentada em setembro de 2018, a norte-americana explicava que teria sido vítima do jogador da Juventus de violação em 2009, em Las Vegas, e pedia por isso uma indemnização por todos os danos psicológicos que sofreu com o crime. Mais pedia que o acordo que fez para se manter em silêncio fosse anulado, provando que não estava em condições psicológicas para o fazer. Nessa ação, que corre agora no Tribunal Federal, a professora pede também uma indemnização por difamação.

Na acusação inicial, a modelo de 33 anos admitia que tinha inicialmente aceite um acordo para não falar do assunto que remontava a 2009, por motivos de trauma emocional. Segundo Mayorga, o jogador teria pagado cerca de 300 mil euros pelo seu silêncio. Em janeiro de 2010 teria ainda sido assinado um documento no qual Katheryn acordava em nunca dizer que era Ronaldo o seu agressor, destruir toda a documentação e não confirmar a história caso esta fosse revelada por outras pessoas.

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Ronaldo sempre negou a acusação. O processo, que veio a público depois da publicação de documentos e do testemunho de Mayorga pela revista Der Spiegel, teve impacto direto na imagem do capitão da seleção nacional de futebol, levando mesmo a que marcas como a Nike ou a EA Sports ameaçassem distanciar-se do jogador.

(Artigo atualizado às 17h06)