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Portugal vence (finalmente) Espanha após prolongamento e vai jogar final do Mundial com Argentina

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Após uma longa de série a perder o duelo ibérico em Mundiais, Portugal sofreu em cima do intervalo, deu a volta, consentiu empate e ganhou no prolongamento (4-2), jogando agora final com a Argentina.

Portugal reencontra na final do Mundial a Argentina, com quem empatou a um golo na fase de grupos

Rui Manuel Fonseca

Última vitória num Campeonato do Mundo? 2003, em Oliveira de Azeméis. Última vitória num Campeonato do Mundo realizado fora de Portugal? 1993, em Itália (Bassano). Última, ou neste caso única, vitória num Campeonato do Mundo disputado em solo espanhol? 1960, em Madrid. Em termos históricos, a Seleção Nacional não tinha propriamente o contexto ideal para se assumir como favorita à conquista do Mundial mas a fase de grupos, onde terminou no segundo lugar do grupo B com os mesmos pontos da Argentina mas dois golos a menos, mostrou que a equipa de Renato Garrido tinha todas as condições para poder quebrar um jejum de 16 anos na principal prova mundial. Assim conseguisse, claro, superar mais um registo negativo.

Era preciso recuar até 1993 para se ver uma vitória de Portugal frente à Espanha em Campeonatos do Mundo, com o 4-1 nas meias a levar o conjunto português liderado por António Livramento onde se destacavam Paulo Almeida, Paulo Alves, Pedro Alves, Vítor Fortunato ou Tó Neves, entre outros, a ganhar depois à anfitriã Itália nas grandes penalidades. A partir, só derrotas, três em jogos das meias-finais, uma na discussão do terceiro lugar e outra, neste caso a última, no encontro decisivo da última edição disputada em Nanjing, através do desempate por grandes penalidades. Esse foi o grande mérito de Portugal: mesmo a jogar em terreno adversário e a começar em desvantagem, nunca perdeu o discernimento, ficou perto de fechar as contas ainda no tempo regulamentar mas acabou mesmo por ganhar após prolongamento (4-2).

Depois de uma entrada equilibrada e com o claro objetivo de Portugal em corrigir os erros cometidos no plano defensivo frente à Itália nos quartos que por pouco não custaram uma eliminação precoce da prova, Ângelo Girão ainda fez algumas intervenções um pouco mais apertadas (com o perigo a vir sobretudo de Adroher) mas os minutos foram passando sem golos. Em termos ofensivos, Rafa também conseguiu colocar em sentido Sergi Fernández, sendo que Ferrant Font e Bargalló tiveram boas chances para fazerem o 1-0 que acabaria por chegar a poucos segundos do intervalo: com Portugal em under play após um cartão azul muito duvidoso a Jorge Silva, o avançado do Benfica Jordi Adroher ainda falhou o livre direto (defesa de Girão) mas não perdoou quando apareceu sozinho na área após passe de Ferrant Font, jovem jogador do Sporting.

De forma inglória, a Seleção Nacional terminava os 25 minutos iniciais em desvantagem mas a reação após o descanso mostrou bem a força coletiva do conjunto do aniversariante Renato Garrido, que conseguiu dar a volta com golos de Gonçalo Alves (30′) e João Rodrigues (36′), capitão de Portugal que atuou no Palau Blaugrana onde o “seu” Barcelona realiza os jogos em casa. Numa altura onde as bolas paradas poderiam ser decisivas também perante o acumular de faltas das duas equipas, Casanovas, mais um jogador que alinha na Primeira Liga (Benfica), permitiu a defesa a Girão numa grande penalidade (38′) antes de Hélder Nunes não conseguir também transformar um livre direto depois da décima falta do conjunto da casa (39′).

A Espanha tentou forçar um pouco mais nas zonas de pressão e na presença que conseguia ter na área mas Portugal manteve-se sempre muito coeso em termos defensivos e voltou até a ter a oportunidade flagrante neste momento do encontro, quando Ferran Font viu cartão azul (algures por simulação e consequente queda em cima de João Rodrigues) e o capitão da Seleção Nacional não conseguiu bater o companheiro de equipa Sergi Fernández (42′), antes de dois minutos em power play onde Rafa ficou por mais do que uma vez próximo de concretizar o 3-1. No entanto, a menos de dois minutos do final, num lance em que Girão ficou a protestar um toque com o braço antes do remate final, Alabart empatou e levou a decisão para prolongamento.

No tempo extra, a Espanha começou mais forte, Portugal tentou reagir protestando dois lances que podiam ter valido cartão azul aos adversários e passou mesmo de novo para a frente no primeiro minuto do segundo tempo, numa fantástica jogada coletiva entre Jorge Silva e Henrique Magalhães concluída com um remate colocado de João Rodrigues (56′). A partida ficou então parada alguns minutos devido a problemas no marcador eletrónico, os espanhóis tiveram ainda um livre direto pela décima falta nacional (mais uma vez a deixar grandes dúvidas) que Pau Bargalló não conseguiu aproveitar e seria mesmo Portugal a marcar de novo por Jorge Silva numa altura em que a Espanha jogava com quatro elementos de campo em under play e sem guarda-redes na baliza (60′), qualificando a Seleção Nacional de novo para a final do próximo domingo, às 17 horas.

No outro encontro do dia, a Argentina confirmou o favoritismo teórico na meia-final frente à França, vencendo por 3-0 um jogo que chegou sem golos ao intervalo. Pablo Alvaréz e Gonzalo Romero, jogador do Sporting, conseguiram marcar no arranque do segundo tempo antes de Nicolia, avançado do Benfica, fechar as contas a três minutos do final. Os sul-americanos, que chegaram pela 14.ª vez à grande decisão, tentarão alcançar o seu sexto título depois de 1978, 1984, 1995, 1999 e 2015.

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