Wade Robson e James Safechuck, as duas testemunhas que no documentário “Leaving Neverland” relatam terem sido vítimas de abusos sexuais por parte de Michael Jackson, estão a ser processadas por três grupos de fãs do cantor norte-americano. Os fãs acusam as duas alegadas vítimas de “danificarem a memória de um defunto”. Por isso, pedem a quantia simbólica de um euro a cada um, avança a CNN.

Myriam Walter, uma reformada francesa de 62 anos, preside a um grupo de fãs de Michael Jackson — o MJ Community — com cerca de 600 membros. Quando viu o documentário da HBO, chorou. “Sei que não é possível”, disse, embora nunca tenha conhecido o ídolo. Walter acusa Wade Robson e James Safechuck de “quererem ganhar dinheiro”.

Em conjunto com dois outros grupos de admiradores do ‘Rei da Pop’ — On the Line e MJ Street — Walter entregou uma queixa contra as duas alegadas vítimas num tribunal francês. Isto porque, em França, é ilegal fazer acusações criminais contra pessoas que já morreram. Os advogados de Robson e Safechuck recusaram fazer comentários.

Processados pela quantia simbólica de 1 euro. “Não é uma questão de dinheiro. É um assunto do coração”

No processo, os fãs exigem uma quantia simbólica de um euro a cada uma das alegadas vítimas. “Não é uma questão de dinheiro. É um assunto do coração“, disse Emmanuel Ludot, o advogado que representa os fãs. “A imagem do falecido está danificada, assim como a de toda a comunidade de fãs de Michael Jackson”, acrescenta o responsável.

À saída da primeira audiência em tribunal, onde não marcaram presença nem Wade Robson nem James Safechuck, a francesa Myriam Walter afirmou que Michael Jackson “tinha um grande coração”. “Não é correto fazer esta acusações contra alguém que já não está vivo e que não se pode defender.”

Os outros grupos de fãs acusam o documentário de incoerências na cronologia dos acontecimentos apresentada pelas alegadas vítimas. “Ele já foi absolvido e já houve investigações“, defende, por sua vez, Brice Najar, presidente do grupo On the Line. A primeira decisão do tribunal é conhecida a 4 de outubro.

No documentário, exibido pela HBO, Wade Robson e James Safechuck garantem ter sido vítimas de agressões sexuais repetidas vezes pelo artista quando eram menores de idade, na mansão de Jackson, perto de Los Angeles, nos anos 80 e 90. As acusações foram sempre negadas pelo próprio cantor em vida e o ‘Rei da Pop’ nunca foi condenado.

Dez anos depois da morte do cantor, com a divulgação do documentário, várias estações de rádio deixaram de tocar as canções de Michael Jackson.

Segundo o advogado que representa os fãs, a batalha judicial tem o apoio total da família Jackson, que já apelidou o filme como um “linchamento público”. A família também descreveu os acusadores de Jackson como “mentirosos admitidos”, em referência a declarações feitas por Safechuck e Robson, enquanto Jackson ainda era vivo, de que a estrela, afinal, não os tinha abusado sexualmente.