Na época passada, o rendimento de Rafa teve diversas interpretações. De forma quase imediata, o internacional português foi definido como o reforço do Benfica que tinha chegado dois anos antes e só dois anos depois tinha compensado o investimento; numa fase intermédia da temporada, o avançado assumiu-se enquanto titular totalmente indiscutível e foi — a par de Pizzi, Félix e Seferovic — uma das traves mestras do campeão nacional; no fim da época, Rafa já era um dos preferidos dos adeptos, um elemento chave para Bruno Lage e uma certeza para as temporadas futuras. No início desta época, ninguém se tinha esquecido de Rafa. E Rafa fez questão de garantir que ninguém se tinha esquecido dele.

Contra o Sporting, no jogo que valeu ao Benfica o primeiro troféu da temporada, Rafa inaugurou o marcador a passe de Pizzi e assistiu o capitão encarnado nos dois golos que este marcou. Para lá do entendimento afinado com Pizzi, que faz parecer que não passou tempo nenhum desde que os encarnados bateram o Santa Clara na Luz e garantiram a conquista da Primeira Liga, o avançado português parece manter o pico e o ritmo de forma com que terminou a época passada: veloz nas transições, inteligente na hora de soltar a bola, letal no posicionamento sem bola e quase perfeito no momento da concretização.

Este domingo, no Algarve, Rafa estreou-se a marcar na Supertaça e tem agora golos em todas as competições portuguesas profissionais. Mais do que isso, o avançado garantiu aos adeptos encarnados que está preparado para realizar uma temporada parecida — ou até superior — àquela que fez no ano passado e que tem agora espaço para um papel mais preponderante e de maior relevância. Afinal, com a saída de João Félix e mesmo com a entrada de Raúl de Tomás e Carlos Vinícius, Rafa permanece o jogador que maior ligação tem com Pizzi, o maestro absoluto de Lage, e isso vai garantir-lhe o lugar móvel, perigoso e criativo no movimento ofensivo do Benfica.

O avançado que no verão de 2016 provocou uma guerra bastante pública entre FC Porto e Benfica, que lutaram pela contratação do então jogador do Sp. Braga, esperou dois anos para causar impacto e três para ser indiscutível. Mais do que isso, Rafa tem a seu favor o facto de não ter sido associado a nenhum rumor de transferência de verão, de ter permanecido dentro de uma redoma criada pelos encarnados e de ter estado presente na pré-temporada desde a primeira hora, garantindo aos adeptos uma ideia de continuidade que nem sempre é fácil de deixar visível. No primeiro jogo a contar, não falhou. E o mais provável é que não o faça até ao final da temporada.