O antigo Presidente do Panamá Ricardo Martinelli foi absolvido, na sexta-feira, de todas as acusações de espionagem política, embora o tribunal tenha mantido a ordem que o impede de sair do país.

O painel de três juízes declarou Martinelli “não culpado” das acusações de espionagem ilegal das comunicações de pelo menos 150 pessoas, entre opositores, empresários, jornalistas e ativistas sociais.

O antigo chefe de Estado foi também absolvido de má gestão de fundos públicos para adquirir equipamento para as escutas durante o mandato (2009-2014).

Martinelli foi acusado de intercetar comunicações sem autorização judicial, de monitorizar, perseguir e vigiar sem autorização judicial, e de adquirir indevidamente equipamento de espionagem com fundos estatais.

O Ministério Público pedia 21 anos de prisão. Martinelli declarou-se inocente.

Em junho de 2018, o multimilionário, de 67 anos, foi extraditado de Miami, no sudoeste dos Estados Unidos, para ser julgado no Panamá. Martinelli deixou o país em 2015, afirmando ser alvo de perseguição política.

Inicialmente, ficou detido preventivamente na prisão de El Renancer, mas o tribunal determinou, posteriormente, a detenção domiciliária porque Martinelli tinha já cumprido mais de um ano de detenção preventiva, o que é proibido por lei no país.

No final da audiência, Ricardo Martinelli considerou que o país viveu “um dia histórico”.

“Não porque fui absolvido de todas as acusações, não é por mim, mas todos vós”, declarou o fundador do partido Mudança Democrática (CD), um dos mais importantes do Panamá.