O coletivo Oupas! – ou como quem diz, “vamos lá!” – é composto por três designers gráficas muito criativas, que trabalham quase exclusivamente com papel e cartão:  Joana Croft, Sofia Farinha Gomes e Cidália Abreu. Juntas há 9 anos, têm no seu currículo projetos feitos para marcas de renome como a TEDx Youth Porto, Thought For Food Gobal Summit, a montra da Hermès (em Lisboa) e até a marca de sapatos Josefinas. E não se pense que se trata de um nicho de mercado, pois já são reconhecidas no meio e têm, inclusivamente, uma forte presença nas redes sociais, com 10 mil seguidores no Facebook e 4700 no Instagram.

Créditos: Oupas!

O primeiro passo

O projeto – Oupas! – começou logo com dois movimentos: o nome e o passe Andante (que, na conferência TEDx Braga, indicaram como o investimento inicial, pois permitia que andassem de um lado para o outro, em busca de clientes e inspiração a um custo reduzido). “Gostamos muito de falar da questão do Andante, de forma metafórica, porque, quando terminámos o curso, não tínhamos mesmo nada. Sabíamos que queríamos fazer alguma coisa juntas e, por isso, o projeto foi o resultado desta nossa força de vontade, que continua a ditar o nosso caminho: usamos o que temos, e o que não temos, procuramos forma de arranjar”, revela Sofia Farinha.

Créditos: Oupas!

O ano de 2010 marcou o início de tudo. Tinham terminado o curso de Design na Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão, em Vila do Conde, e enquanto pensavam no que fazer, a Faculdade propôs que entrassem num projeto piloto de incubação. Foi aí que deram uso a uma das ferramentas mais importante para o seu futuro: as mãos. As primeiras produções foram sobretudo cartazes e flyers, até serem convidadas a fazer uma montra artística no Centro Comercial Bombarda. Estava feita a apresentação à cidade e as Oupas! lançavam-se em grande.

Uma década de desafios

Quase a celebrar 10 anos, não têm muito tempo para pensar no caminho feito, já que o trabalho é imenso, mas sabem que evoluíram muito. Cidália Abreu adianta que por vezes, olham para os primeiros trabalhos e reconhecem que estavam ainda muito verdes. Mas a verdade é que só chegaram até aqui, porque procuraram ultrapassar obstáculos e algumas limitações de base. “Estudámos a pensar que íamos fazer o design gráfico mais convencional, mas os nossos primeiros projetos foram feitos em cartão e foi essa a via que seguimos. Por isso, quase que começámos do zero”, justifica.

Créditos: Oupas!

Aprenderam a trabalhar em programas digitais, como a modelação 3D, de forma a poderem mostrar ao cliente o projeto final e a gerir o espaço disponível para o encaixar. Inicialmente, houve algumas surpresas às quais foi necessário dar resposta: “Gostamos de falar num dos primeiros projetos que aceitámos, que implicava ocupar um espaço de 30 metros de largura e cinco de altura e a equipa éramos nós as três, para criar e montar tudo. Mas tem sido essa inocência que nos tem feito atirar para mais longe”, completa Joana Croft.

Quando se fala em projetos desafiantes, não têm dúvidas em nomear a sua participação no evento “Thought For Food (TFF)”, uma competição internacional anual, cujo objetivo é reunir universitários de diversas áreas para aprender mais sobre os desafios complexos que envolvem a segurança alimentar.

Créditos: Oupas!

Em 2018, teve lugar no Rio de Janeiro, onde foi lançado o desafio de pensar em soluções ousadas e inovadoras para  alimentar 9 mil milhões de pessoas. Ao coletivos Oupas!, o desafio lançado foi o de decorar não só a sala de conferência, como os espaços associados. “Este é um dos maiores projetos em que estamos envolvidas – desde 2013 – em termos de escala e de conceito. Mas há outro tipo de projetos mais pequenos, que são igualmente exigentes e muito detalhados. Em alguns casos, temos de repetir as maquetes até ficaram no ponto perfeito”, garantem as designers.

O Oupas! no futuro

“Estamos muito satisfeitas com o presente. Devido à natureza do nosso trabalho, que implica trabalhos em grande escala, fomos mudando muito de estúdios, mas há 3 anos encontrámos este, onde temos tudo o que queremos.” Sentem que estão onde querem estar, com a equipa que querem ter. Estas três “mulheres do norte” – como gostam de lembrar – continuam juntas e prontas para as curvas, cantos, arestas, tesoura, cola e tudo o mais que seja preciso para responder aos desafios da vida. “É claro que é sempre possível melhorar. Tentamos ser mais seletivas na escolha dos projetos e estar sempre a fazer algo que nos cative”. O resto, é deixar ir andando, pois foi assim que tudo começou.

Saiba mais sobre este projecto em
https://observador.pt/seccao/feeling-the-movement/