Chester Williams, o herói do râguebi sul-africano que se tornou o primeiro jogador negro a conquistar um Mundial com a camisola dos Springboks, morreu esta sexta-feira. Chester Williams tinha 49 anos e foi vítima de um ataque cardíaco.

Conhecido como “pérola negra”, o jogador de râguebi estreou-se pelos Springboks em 1993. Dois anos depois, em 1995, tornava-se o primeiro negro a sagrar-se campeão do mundo, frente à Nova Zelândia e logo no campeonato organizado na África do Sul. Tinha passado apenas um ano desde que o país tinha abandonado o sistema de segregação racial, designado de apartheid. Por isso mesmo a presença de Chester Williams na equipa vencedora, além de granjear-lhe enorme popularidade num desporto que, por tradição herdada da colonização britânica, era jogado essencialmente por brancos, foi um contributo para a unificação da África do Sul. Nelson Mandela, recentemente eleito Presidente, fez mesmo desse título um marco do novo país em que brancos e negros tinham os mesmos direitos.

Chester Williams foi eleito jogador do ano na África do Sul em 1994. Contudo, as lesões foram uma constante ao longo da carreira. Reformou-se em 2001 e começou a orientar a equipa de sevens sul-africana, os Blitzboks. Mais recentemente, trabalhava como treinador de râguebi universitário.

O presidente da South African Rugby, Mark Alexander, disse que a notícia da morte do antigo jogador é “devastadora” e “difícil de acreditar”: “O Chester foi um verdadeiro pioneiro no râguebi sul africano e as suas exibições no Mundial de 1995 vão ficar para sempre nos corações e memória de todos os fãs de râguebi. A sua influência foi mais longe do que o mundo do râguebi”, afirmou Alexander.

Nas redes sociais, multiplicam-se as mensagens de condolências e apreço pelo histórico jogador.

“A África do Sul perdeu outro gigante”, escreveu o governo sul-africano.

O jogador da seleção nacional galesa Shane Williams descreveu Chester como uma “lenda”.

Os All Blacks dizem que Williams foi um “forte rival dentro de campo” e um amigo fora dele.