Primoz Roglic era uma das maiores promessas do esqui, ao ponto de ter conquistado o Campeonato do Mundo de saltos em 2007 numa carreira que estava ainda a levantar voo. Depois, teve uma queda aparatosa. E uma lesão grave. E uma longa recuperação, que entre várias fases o colocou em cima de uma bicicleta. O acaso acabou por mudar por completo a vida do esloveno, que em 2011 deixou os desportos de inverno e em 2013 já corria pela Adria-Mobil. Hoje, ganhou a Volta a Espanha.

Roglic já tinha ganho algumas etapas das principais provas, no Tour (2017 e 2018) e no Giro (2016 e 2019). Na Vuelta, nem um único primeiro lugar. No entanto, e mesmo tendo concorrência de peso como Valverde ou Quintana, o antigo vencedor da Volta ao Algarve teve uma das maiores demonstrações de classe da carreira, chegando à Praça Cibeles com mais de dois minutos e meio de vantagem sobre o segundo classificado. Aos 29 anos, estava confirmada o grande triunfo da carreira daquele que ao longo das últimas três semanas foi descrito em Espanha pelo ciclista das duas caras e três perguntas – ou quatro na consagração.

Como escrevia este domingo o La Razón, “três perguntas” é aquela frase que funciona quase como imagem de marca do corredor esloveno quando chega às conferências de imprensa, sobretudo depois de ter conquistado a camisola vermelha da liderança. Nas respostas, diz pouco ou nada. E foge a qualquer polémica, como por exemplo quando a Movistar arriscou numa etapa marcada por uma queda que condicionou alguns dos elementos da frente. Este sábado, com o triunfo virtual garantido, houve direito a mais uma questão mas nem por isso o resultado final deixou de ser seco, numa imagem diametralmente oposta de alguém descrito como sorridente, educado, acessível para os companheiros, bem disposto, correto com os adversários e sempre preocupado com o filho, que acabou por dar mais nas vistas na última conferência do que o próprio pai.

“Foram 20 dias de loucura e com as dificuldades a crescerem de dia para dia. Desde que me estreei em 2013 que se passaram muitas coisas: deixou o esqui, dediquei-me às bicicletas, comecei como amador, fiz-me profissional e agora, seis anos depois, estou a competir com os melhores. Próximo objetivo? O Tour? Por que não? Pertenço a uma grande equipa que na próxima época se vai reforçar muito. Teremos um grande nível, ainda que sem nos podermos comparar com a Ineos”, referiu.

Roglic tornou-se assim o primeiro esloveno a conquistar uma das grandes corridas do calendário, confirmando uma ascensão do país no ciclismo depois da primeira liderança numa prova do Grand Tour (Janez Brajkovic, Vuelta de 2006) e da primeira vitória numa etapa de uma prova do Grand Tour (Borut Bozic, Vuelta de 2009).

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