No final de abril, os juniores do FC Porto venceram o Chelsea na final da UEFA Youth League e conquistaram a Liga dos Campeões de Sub-19, assumindo-se, pelo menos de maneira formal, como a mais promissora geração de jogadores da Europa. Nessa equipa, para além de Diogo Leite, Diogo Queirós e o guarda-redes Diogo Costa, estavam Romário Baró e Fábio Silva, dois dos grandes destaques do grupo da formação orientado por Mário Silva. Ambos integraram o plantel principal do FC Porto para esta temporada: o médio impressionou logo na apresentação, contra o Mónaco, e ganhou um lugar no onze inicial; o avançado tem tido mais dificuldades, face ao bom momento de Zé Luís, ao poderio de Marega e à qualidade de Soares, e tem normalmente sido opção nos instantes finais das partidas e quando tudo já está mais ou menos decidido.

Até esta quinta-feira. Se é verdade que o FC Porto se colocou a vencer ainda na primeira meia-hora e que o resultado não voltou a sofrer alterações, também é verdade que o Young Boys deu muito trabalho à defesa azul e branca e não deixou de acreditar na possibilidade de sair do Dragão com um empate. Ao longo de um segundo tempo em que a equipa de Sérgio Conceição caiu de rendimento e permitiu uma subida no terreno aos suíços, o Young Boys procurou o segundo golo, procurou o ponto e procurou a baliza de Marchesín. E só quando os três apitos soaram no Dragão, já para lá do minuto 90, é que o FC Porto teve a certeza de que entrava na Liga Europa a ganhar. Ora, pelo meio — e a dez minutos do fim do jogo –, Conceição lançou Fábio Silva no lugar de Soares, que bisou, e ofereceu ao jovem avançado a responsabilidade de entrar numa partida que estava instável e que podia acabar menos bem.

Com Zé Luís, ainda que condicionado, no banco, o treinador optou por Fábio Silva: que se tornou o jogador mais novo de sempre a representar o FC Porto nas competições europeias, já que tem apenas 17 anos e dois meses. “Antes de mais quero agradecer a oportunidade de entrar na história do clube, de ser o jogador mais jovem a jogar nas competições europeias. Acho que a equipa está de parabéns, preparámos o jogo da melhor forma para podermos entrar com a nossa identidade”, disse o avançado no final do jogo, revelando depois aquilo que Sérgio Conceição lhe disse antes de entrar na partida.

“Quando estava para entrar o mister pediu-me para dar o máximo e tentar ajudar a equipa. Sinto que o fiz e estou muito feliz. Quando jogo procuro sempre ajudar a equipa. É muito bom estar todos os dias ao lado de grandes jogadores como os meus colegas e poder aprender todos os dias com eles. A equipa técnica e os jogadores têm-me ajudado muito para que eu atinja os meus objetivos e quero trabalhar para os ajudar também”, concluiu Fábio Silva, que acrescentou ainda que “é sempre bom poder entrar na história de um clube”. Já o próprio treinador explicou que apostou no jogador porque considera que este tem “capacidade”. “Teve trabalho e mobilidade e, mesmo a jogar um pouco mais baixo no campo, conseguiu criar alguns problemas ao adversário. O Zé Luís estava limitado e entrou um miúdo disponível. Entrou o que estava melhor”, disse Sérgio Conceição.

“Entrámos bem, contra um equipa que ainda não tinha perdido esta época, que é forte fisicamente, que joga de forma direta. Às vezes, uma bola na frente pode surpreender, como aconteceu no lance que resultou em penálti. Fizemos uma primeira parte bem conseguida, sem ser espetacular. Reagimos bem ao golo adversário, ora procurando espaço por dentro, ora saindo por fora. Fomos rápidos na circulação de bola, para causar desequilíbrios, e assim se fez o 2-1. E até se podia ter feito mais um golo, com uma bola ao poste. Um resultado a 2-1 é sempre perigoso, sobretudo contra uma equipa que tentou futebol direto, mais pragmático e objetivo. Podíamos ter feito o 3-1, mas valeu pelo sacrifício, pela entrega. Temos um grupo forte e valeu pelos três pontos. Às vezes não se pode ser espetacular, mas vale pelos três pontos”, comentou o treinador do FC Porto, num resumo global da vitória frente ao Young Boys, que foi a quinta consecutiva dos dragões em todas as competições.