A Assembleia Geral do Benfica, que aprovou com cerca de 80% um Relatório e Contas com um lucro de quase 30 milhões de euros descrito como “histórico”, teve um momento de maior tensão no Pavilhão número 2 da Luz, com Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados, a tentar mesmo agredir um associado mais jovem quando estava no uso da palavra na parte da reunião magna aberta às intervenções de todos os interessados.

De acordo com o jornal A Bola, o associado em causa terá falado em “amor sujo” por parte da atual Direção ao clube, o que deixou Vieira à beira de um ataque de nervos, levantando-se mesmo do seu lugar e chegando mesmo a apertar o pescoço do sócio que estava no palanque entre vários insultos, momento em que surgiram vários seguranças na tentativa de acalmar os ânimos no recinto. “Não peço desculpa a quem ofendi, o que esse senhor disse, em determinadas circunstâncias, devia ser detido”, disse a seguir o líder das águias.

Entre as críticas feitas a Luís Filipe Vieira, que não se circunscreveram apenas ao associado em causa, estiveram sobretudo negócios feitos para a equipa principal dos encarnados, as ligações com o agente Jorge Mendes e ainda alguns temas que vieram a público no âmbito do caso dos emails e do e-toupeira. De acrescentar que, na véspera, tinham surgido algumas tarjas no Seixal contra o atual elenco dos encarnados, neste caso pela ambição europeia que Vieira revelou em entrevista à TVI. “Símbolo? Nome do estádio? Clube Corporat€ = Benfica do povo?”, dizia uma faixa. “12 anos, 8 eliminações / 14 jogos, 11 derrotas = Benfica europeu?”, acrescentava outra.

Antes, no discurso de apresentação, o presidente dos encarnados tinha manifestado a sua satisfação pelos resultados desportivos e económicos, ao mesmo tempo que salientou o crescimento do clube nos últimos anos. “Somos campeões e temos resultados desportivos, financeiros e patrimoniais sem paralelo, temos uma força única e em crescendo como são bom exemplo as Casas do Benfica em Portugal e espalhados pelo mundo. Somos a maior marca portuguesa, ultrapassámos todas as fronteiras.Quando unidos, somos imbatíveis. E o que nos une é este imenso amor ao clube. Acima de tudo e de cada um de nós, estará sempre o grande Sport Lisboa e Benfica! E como clube da liberdade, os vossos contributos e as vossas chamadas de atenção, sem falsas demagogias, têm permitido corrigir eventuais erros e falhas e melhorar muitos aspetos da vida do clube. Um clube com passado que nos orgulha, um presente que nos motiva e um futuro com ambição redobrada”, destacou.

“A nível nacional, só nas últimas dez épocas vencemos 17 títulos, os mesmos que os nossos rivais juntos. Nos últimos seis anos, temos 13 títulos, cinco deles de campeão, e os nossos rivais juntos venceram apenas oito títulos. Há já quem fale que quer recuperar a hegemonia: quando o reconhecimento do nosso trabalho vem dos nossos principais rivais, só nos resta agradecer e tudo fazer para continuarmos a ser dignos dessa justa homenagem. Nos nossos 16 anos de mandato, o Benfica qualificou-se 14 para a Champions, temos duas finais da Liga Europa e três quartos-de-final da Champions. Mas tal como a nível nacional primeiro tivemos que lançar as sementes, também a nível internacional é fundamental desenvolver uma estratégia racional, tendo em conta a diferença de orçamentos face aos principais clubes do mundo. Esta estratégia não pode pôr em causa o trabalho desenvolvido ao longo destes anos, de devolver o Benfica aos benfiquistas e de crescer de forma sustentada”, acrescentou.