O “Memorial do Convento”, de José Saramago, inspira um novo roteiro cultural que vai começar no dia 27, no Palácio Nacional de Mafra, promovendo o livro e o monumento recentemente classificado como Património Mundial da Humanidade.

Andreia Salvado, promotora nas redes sociais do projeto “Oui Go Lisbon Visits”, disse à agência Lusa que este novo roteiro surgiu de “um pedido dos visitantes que a acompanham” noutras visitas guiadas a Lisboa e a Sintra.

Para a docente e investigadora, este novo roteiro vem promover a ligação de Mafra a José Saramago, que está “parada no tempo”, dando a conhecer aos visitantes “o património histórico e literário”.

O romance “Memorial do Convento” é o “pretexto” para “fazer uma viagem no tempo” e conhecer a época da construção do Real Edifício de Mafra, como era então chamado. “Selecionei excertos da obra para contar histórias da própria História”, explicou, seguindo assim “o passo das personagens pelo palácio”.

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Contudo, “sai do livro para contar histórias” acessíveis a todos os tipos de público, dando a conhecer, exemplificou, o quotidiano da família real, os hábitos e costumes do passado, como se vestiam, que cerimónias existiam, recordando segredos e memórias escondidos no palácio.

As visitas vão acontecer aos domingos de manhã, sempre que os monumentos estão de portas abertas, todos os meses ou de dois em dois meses, consoante as inscrições, que têm um custo de 18 euros por pessoa.

O projeto “Oui Go Lisbon Visits” tem roteiros temáticos em Lisboa, alusivos à tradição judaica, também ao “Memorial do Convento”, ao terramoto de 1755, à obra de Saramago “Cerco de Lisboa” e ao Palácio da Ajuda. Em Sintra, Andreia Salvado leva os visitantes a conhecer a simbologia da Quinta da Regaleira. As visitas são feitas em português, inglês ou francês.

A autora do projeto é professora licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Lisboa e investigadora, estando a terminar o doutoramento em simbologia do sagrado, pela Universidade de Lyon.

Mafra continua sem atrair turismo literário por manter fora da visita ao palácio e à vila a abordagem a José Saramago e à sua obra, mais de 20 anos depois da atribuição do Nobel da Literatura, defenderam investigadores, num estudo divulgado no início do ano passado.

No estudo intitulado “Mafra e Saramago. Estratégias de mediação entre um potencial Património Mundial da Humanidade e uma obra-prima literária do Prémio Nobel”, investigadores da Universidade Europeia consideraram que Mafra só tem a ganhar com a promoção do destino através de Saramago e do romance “Memorial do Convento”, inspirado na história da construção do palácio, e traduzido em 50 línguas.

Os investigadores defendem que a literatura pode promover diferentes experiências de visita e recomendam que se recorra às novas tecnologias para incluir Saramago.

De autoria de Marcelo Gonçalves Oliveira, Maria do Carmo Leal, Maria Isabel Roque, Maria João Forte, Sara Rodrigues de Sousa e Antónia Correia, o estudo foi realizado no âmbito de um projeto multidisciplinar sobre destinos turísticos ligados à literatura, que junta investigadores das áreas da literatura, museologia, antropologia, ‘marketing’ e turismo.