O jogo estava apertado. Malha mesmo curta, com todos os metros ganhos a serem demasiado caros para ataques sempre em dificuldades perante as defesas contrárias. Pouco antes dos 60 minutos, África do Sul e Gales só tinham somado pontos através de penalidades e no caso dos africanos chegaram apenas uma vez aos últimos cinco metros contrários durante a primeira parte. Até que surgiu Damian de Allende. Assim se abriu um jogo de râguebi.

Os 40 minutos inicias da segunda meia-final do Campeonato do Mundo foram sobretudo uma luta entre duas figuras nos tiros aos postes, com Handré Pollard (15′, 20′ e 35′) e Dan Biggar (18′ e 39′) a fazerem o 9-6 que se registava ao intervalo numa partida muito disputada, nem sempre bem jogada mas com Gales a estar bem melhor do que fizera com a França nos quartos e a África do Sul menos intensa do que contra o Japão.

Depois, o primeiro ensaio. Handré Pollard conseguiu dar o primeiro esticão que desequilibrou a defesa galesa, Faf de Klerk variou bem o jogo, Damian de Allende ligou o modo comboio e foi ganhando metros sem parar com os adversários a tentarem sem sucesso a placagem. Um, dois, três, nada feito – e com a conversão, a África do Sul passava para a frente do marcador com sete pontos de vantagem (16-9) mas seria apenas uma questão de minutos até Gales responder da mesma forma e com muito mérito do mítico capitão Alun Wyn Jones.

O número 5 galês quis ver a equipa a jogar em vez de tentar o pontapé aos postes, que mais não iria fazer do que reduzir a desvantagem. Foi arriscado, poderia ser criticado pela decisão mas saiu como um herói: no seguimento de uma combinação pelo lado fechado, Josh Adams tornou-se o melhor marcador de ensaios da competição e, após a conversão, empatou de novo a partida (16-16). Ao mínimo erro, o jogo seria decidido. E assim foi: a apenas quatro minutos do final, Pollard fez o quinto pontapé aos postes com sucesso e marcou o 19-16 final.

Desta forma, a África do Sul alcançou a terceira final de sempre do Campeonato do Mundo, tentando repetir os sucessos alcançados em 1995 e 2007 – este último, curiosamente, contra a Inglaterra, adversário na final de sábado (9h) que chegou ao quarto jogo decisivo depois da vitória de 2003 e dos desaires de 1991 e 2007.