Quando Felix Zwayer foi ver as imagens do lance onde Nzonzi pisou Kroos e percebeu que a infração tinha sido mesmo em cima da linha, a corrida para a área foi acompanhada pelo desejo comum de um estádio para que houvesse um outro marcador da grande penalidade que furasse a habitual hierarquia. Sergio Ramos, o capitão, não pensou da mesma forma: agarrou na bola, ajeitou o cabelo e partiu para um “Panenka em força” ao meio da baliza quase a papel químico do que Dani Parejo tinha marcado na véspera pelo Valencia contra o Lille. Podia ter havido mais história nesse momento mas nem por isso o que acontecera antes foi apagado.

Numa altura em que se continuam a suceder os trabalhos sobre as fragilidades ofensivas do Real Madrid desde que Cristiano Ronaldo se transferiu para a Juventus, a receção dos merengues ao Galatasaray tinha esse ponto de interesse paralelo de Karim Benzema poder igualar os 49 golos de Alfredo Di Stéfano na principal competição de clubes da Europa mas foi de outro nome que se falou. Aliás, foi outro nome que se cantou.

Numa altura em que se começa a afirmar na equipa à frente do compatriota Vinicius, Rodrygo, brasileiro de 18 anos que chegou esta temporada a Madrid e que chegou a fazer alguns jogos pelo conjunto secundário, chegava a esta quarta-feira com apenas 278 minutos disputados à ordem de Zinedine Zidane, entre Liga e Champions (um jogo, na Turquia), e a fazer a estreia europeia no Santiago Bernabéu. Uma estreia que tão cedo não esquecerá: na sequência de duas assistências de Marcelo, o avançado bisou nos primeiros sete minutos da partida e colocou o estádio a cantar o seu nome de pé quase como se uma nova estrela tivesse nascido naquele momento.

O encontro tinha um sentido único, Ramos fez o 3-0 ainda antes do primeiro quarto de hora (14′), houve mais algumas oportunidades e Benzema, em cima do intervalo, aumentou a vantagem chegando ao tal recorde que o coloca apenas atrás de Raúl González (66) e Cristiano Ronaldo (105) – após assistência de Rodrygo.

Além de ter sido o jogador do Real Madrid com o bis mais rápido de sempre num jogo da Champions, o avançado tornou-se também o brasileiro mais novo de sempre a marcar na competição e o segundo jogador mais novo a marcar três golos no mesmo jogo da Liga milionária, num encontro que terminaria com mais um de Karim Benzema já nos últimos minutos, passando o registo de Di Stéfano, antes de Rodrygo fechar com um hat-trick nos descontos uma goleada que coloca o Real quase nos oitavos mas ainda a cinco pontos do líder do grupo A, o PSG.