O início do julgamento do caso de Alcochete está marcado para a próxima segunda-feira no Tribunal de Monsanto, com três sessões semanais até abril de 2020 à exceção de janeiro (apenas duas), depois do juiz de instrução Carlos Delca ter pronunciado todos os 44 arguidos nos termos da acusação do Ministério Publico. E faz esta segunda-feira um ano exato que Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, foi detido no âmbito do processo, sendo o último arguido a par de Nuno Mendes, líder da claque Juventude Leonina.

Recordando a data, o ex-dirigente que tinha sido entretanto destituído da presidência dos leões em Assembleia Geral em junho de 2018 voltou a lamentar a forma como foi detido, ao mesmo tempo que considerou esse momento como “o culminar de uma campanha de difamação e calúnia sem precedentes em Portugal”.

“Tive de suportar o vexame de, depois de me ter ido apresentar voluntariamente às autoridades e me ter sido negada uma audiência, ser detido no local que eu considerada o mais seguro e sagrado na minha vida: a minha casa! O vexame de ser detido, de o ser com todos os meus vizinhos a serem testemunhas e com os meus pais, no prédio ao lado, a serem logo confrontados com o sucedido”, escreveu num post publicado no Instagram.

“Mas não bastava o vexame, tinham ainda de cometer a maior humilhação que um homem honrado pode sofrer: o ser detido na frente da filha… e ela que cheia de amor e carinho tinha ido buscar ao supermercado uma árvore de Natal… Como de um modelo e ídolo para as nossas filhas passamos, num segundo, para simples criminosos… Ainda hoje acordo, com pesadelos verdadeiros, a ver a cara dela a sorrir quando entrava em casa e de repente o seu sorriso passa a uma cara de pânico e desgosto quando viu o seu pai a ser detido e as suas coisas, no seu quarto, a serem violadas por aqueles que por detrás de um mandato não tiveram o mínimo de bom senso nem de respeito”, acrescentou, numa “farpa” também que visou os testemunhos de alguns jogadores leoninos.

“Isso sim foi um ato de terrorismo sem precedentes em Portugal! Isso sim foi o culminar de uma campanha de difamação e calúnia sem precedentes em Portugal! Isso sim foi o momento mais negro da minha vida que nunca nada nem ninguém vai, infelizmente, apagar”, concluiu Bruno de Carvalho, acusado enquanto autor moral de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.