Rádio Observador

Sporting

Bruno de Carvalho e líder da Juventude Leonina foram detidos

5.188

Fonte oficial da GNR confirmou as detenções. As autoridades acreditam ter provas de que Bruno de Carvalho foi o mandante do ataque à Academia. Houve buscas na sede da claque e na casa de BdC.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, e Nuno Mendes (Mustafá), líder da claque Juventude Leonina, foram detidos este domingo, avançou a CMTV e confirmou o Observador junto de fonte oficial da GNR. O antigo presidente do Sporting passa a noite numa célula da GNR.

Bruno de Carvalho foi detido em sua casa, apurou o Observador junto de fonte judicial. A ordem de detenção foi dada assim que chegaram à habitação elementos da GNR e procuradores do Ministério Público. Depois, iniciaram-se as buscas em casa de Bruno de Carvalho, com este presente.

Ao Observador, fonte da Procuradoria-Geral da República confirmou que “foram efetuadas duas detenções no âmbito do inquérito relacionado com as agressões na Academia do Sporting Clube de Portugal em Alcochete”. Os dois detidos, que não foram nomeados mas são, sabe o Observador, Bruno de Carvalho e ‘Mustafá’, “serão oportunamente presentes ao Juiz de Instrução Criminal para aplicação das medidas de coação”. Esse primeiro interrogatório judicial deverá acontecer esta terça-feira.

A detenção de Bruno de Carvalho, apurou o Observador, reflete a existência de provas que as autoridades consideram suficientemente sólidas para considerar que foi ele o mandante do ataque à Academia de Alcochete, em maio deste ano. A invasão resultou em agressões a jogadores da equipa de futebol do Sporting e a elementos da equipa técnica liderada por Jorge Jesus.

Bruno de Carvalho foi detido pela GNR, que é o órgão policial que comanda este processo de detenção e buscas, confirmou o Observador. A GNR fez também buscas na sede da Juventude Leonina, junto ao estádio José Alvalade, com a presença de “Mustafá”, que acompanhou as autoridades nas buscas feitas em sua casa, na Aroeira. Acompanhar as buscas é um direito legal que os dois mantêm, mesmo detidos.

A CMTV diz ainda que terá sido encontrada droga na sede da Juventude Leonina, avançando que terão sido confiscadas 20 gramas de cocaína e uma quantidade indeterminade de haxixe.

Não é habitual existirem buscas ao fim-de-semana, sobretudo a horas tardias, havendo até limitações legais à realização dessas iniciativas durante a noite e a madrugada. Esses limites, contudo, não existem quando está em causa suspeitas de envolvimento em crime de terrorismo. Neste momento, recorde-se, os 23 suspeitos de participação no ataque ao centro de treinos do Sporting que se encontram detidos estão indiciados pelo crime de terrorismo, além dos crimes de sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física agravada e incêndio florestal.

A ligação da Juventude Leonina aos ataques

Embora nem todos os elementos suspeitos de participar no ataque à Academia de Alcochete estejam filiados na claque Juventude Leonina, uma boa parte, pelo menos 14, tem ligações ao grupo liderado por Nuno Mendes, conhecido como ‘Mustafá’.

O líder da “Juve Leo” já tinha sido acusado num outro processo, que também envolveu um outro dirigente leonino, Paulo Pereira Cristóvão. Nesse processo, cujos factos remontam a 2015, Mustafá foi acusado de ter estado envolvido em assaltos violentos que ocorreram no distrito de Lisboa, tendo respondido pelos crimes de associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder, violação de domicílio por funcionário e falsificação de documento.

No interior da Academia de Alcochete, no dia das agressões a jogadores e equipa técnica de futebol do Sporting, esteve também um antigo líder da claque Juventude Leonina, Fernando Mendes.

Mendes, que terá sido dos poucos invasores a estar na Academia sem cara tapada, terá falado com Jorge Jesus durante o ataque, garantindo que a intenção dos encapuçados seria apenas conversar com os jogadores. O histórico antigo líder da claque leonino saiu da Academia de Alcochete num BMW, cujo condutor, Nuno Torres, assegurou ter sido autorizado pela segurança para entrar no centro de treinos, já depois dos ataques.

Fernando Mendes, recorde-se, esteve envolvido num incidente com jogadores do Sporting no aeroporto da Madeira, no jogo que antecedeu o ataque a Alcochete. No final dessa derradeira partida do cameponato, em que o Sporting foi derrotado pelo Marítimo e não conseguiu assegurar o 2º lugar no campeonato, Fernando Mendes e outros adeptos leoninos tiveram uma altercação com os jogadores, em especial Marcos Acuña e Rodrigo Battaglia. Fernando Mendes afirmou mesmo “vemo-nos em Alcochete”, nesse momento, segundo reveleram a CMTV e o Diário de Notícias da Madeira.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt
Trabalho

Ficção coletiva, diz Nadim /premium

Laurinda Alves

Começar reuniões a horas e aprender a dizer mais coisas em menos minutos é uma estratégia que permite inverter a tendência atual para ficarmos mais tempo do que é preciso no local de trabalho.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)