No ano em que se comemoram os 100 anos do nascimento de Jorge de Sena, vão ser publicados, pela editora Guerra & Paz, dois novos livros do escritor português. A edição é da responsabilidade de Isabel de Sena, a mais velha dos nove filhos de Jorge e Mécia de Sena, licenciada em Literatura e professora de espanhol e literatura hispano-americana em Nova Iorque.

Um dos livros a publicar “em breve”, segundo a editora, será a correspondência de Sena com o capitão Sarmento Pimentel, que promete abrir uma “outra perspetiva da atividade política de contestação a Salazar e à sua ditadura, neste caso a que se desenrolou no Brasil, particularmente no período entre o final dos anos 50 e o princípio da ditadura militar em 1964, revelando os meandros de ações de uma Oposição que respondia a correntes diversas”.

Jorge de Sena viveu exilado no Brasil entre 1959 e 1965, quando se mudou para os Estados Unidos da América, para fugir à ditadura militar brasileira.

Além deste, será lançada uma fotobiografia do autor de Sinais de Fogo, focada nos “vários aspetos” da “personalidade multifacetada” de Sena. De acordo com a Guerra & Paz, incluirá “texto e imagem de recursos inéditos”.

Figura incontornável das letras portuguesas, Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de novembro de 1919, e morreu em Santa Barbara, na Califórnia, a 4 de junho de 1978. Poeta, ficcionista, dramaturgo, crítico, ensaísta e tradutor, é autor de uma obra vasta, em grande parte publicada postumamente pela sua mulher, Mécia de Sena. A sua obra mais famosa, Sinais de Fogo, foi publicado em 1979, também depois da sua morte, e adaptado ao cinema em 1995, por Luís Filipe Rocha.

No final de janeiro, realizou-se no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a Jornada Jorge de Sena com o objetivo de celebrar os 100 anos do escritor e repensar a sua “obra multifacetada” à luz do século XXI. Por essa altura, foi também publicado um número especial da Colóquio/Letras, dedicada inteiramente a Sena. O número 200 da revista literária publicada pela Fundação Gulbenkian incluiu vários artigos e documentos, assinados por nomes como Ida Alves, Mário Avelar ou António Ramalho Eanes.

Entre estes destacam-se três cartas inéditas enviadas por Sena ao poeta algarvio Gastão Cruz, que conheceu na sequência de uma palestra que deu no salão da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, em janeiro de 1969.