Nem tudo é pouco convencional nas decorações de Natal que adornam, por estes dias, a fachada da Tate Modern, em Londres. Manda a tradição que, ano após ano, artistas sejam convidados a intervir sobre o imponente edifício, erguido há mais de um século.

Depois de nomes como Tracey Emin, Cornelia Parker, Alan Kane e Monster Chetwynd, Anne Hardy foi a autora escolhida para criar uma instalação artística luminosa em torno destas colunas e pilastras à beira-rio. O resultado pode ser visto até 26 de janeiro, chama-se “The Depth of Darkness, the Return of the Light” (A Profundidade das Trevas, o Regresso da Luz).

A artista Anne Hardy durante as montagens da instalação que ficou pronta no último sábado © Getty Images

“Este trabalho é uma proposta para pensar a realidade atual de uma forma diferente, manifestando, neste sítio, outras potenciais realidades, que poderiam ser do passado ou do futuro. É um lugar desafiante, mas a maior dádiva é mesmo o facto de [a Tate Britain] ser uma objetivo incrível. Trabalho muito com objetos que encontro e achei que essa era a forma de abordar este — como um objeto encontrado. O que é que ele pode ser que não é neste momento?”, explicou a autora ao The Guardian.

Iluminada e com uma instalação sonora, a galeria londrina mais parece um santuário pilhado. Há faixas esfarrapadas, emaranhados de cabos com luzes, montículos de gelo, vestígios de lama e pedaços de colunas. O cenário é de destruição, um caos abandonado que não é, de todo, inesperado na obra de Anne Hardy.

A inquietação provocado pelo aparato de luzes e fragmentos é inevitável. “A Anne Hardy criou algo fantasticamente imaginativo e, ao mesmo tempo, um tópico urgente, relembrando-nos de que, não só as estações mudam, como também o clima está a mudar”, assinalou Alex Farquharson, diretor da Tate Britain.

Na fotogaleria, veja as imagens da instalação de Anne Hardy na fachada da Tate Britain.