A Câmara de Lisboa vai pedir ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para fazer uma segunda vistoria ao prédio na Avenida Elias Garcia, em Lisboa, que sofreu uma derrocada parcial na noite de quarta-feira. Só depois dessa vistoria se irá decidir sobre a eventual demolição do prédio.

Fonte da Câmara de Lisboa explicou, esta quinta-feira, que foi feita uma primeira vistoria ao prédio e que há indicação para demolir este prédio, o número 120 da Avenida Elias Garcia — o mesmo se deverá aplicar ao número 130. Ainda assim, vai ser pedida pela Câmara ao LNEC uma segunda vistoria, e só quando forem conhecidos os resultados se tomará uma decisão.

Os jovens da residência universitária, que estava instalada no prédio contíguo ao da derrocada e que foram obrigados a sair ainda ontem à noite, estão, entretanto, a proceder à recolha dos seus pertences. No local, estão equipas dos bombeiros e da Proteção Civil a acompanhar estes jovens, que passaram a noite numa Pousada da Juventude. Uma alternativa de alojamento assegurada pela Câmara de Lisboa — e que incluiu jantar na noite passada e pequeno almoço esta manhã.

A mesma fonte acrescentou que o responsável pela residência universitária garantiu que irá assegurar alternativas aos jovens. Além dos 59 estudantes, havia ainda sete moradores — número avançados pelo vereador da Proteção Civil da Câmara de Lisboa, Carlos Castro.  Caso algum destes moradores não tenha alternativa de residência, a Câmara de Lisboa irá assegurar uma.

“Falámos com o proprietário que nos disse que era seguro, mas afinal não”

Várias pessoas estão concentradas, desde o início da manhã desta quinta-feira, junto ao prédio devoluto que sofreu uma derrocada parcial na noite passada, na Avenida Elias Garcia, em Lisboa, onde comentam que o edifício não era seguro.

“Há um mês, pedras caíram no corredor [da residência universitária que fica ao lado do edifício devoluto]. Falámos com o proprietário que nos disse que era seguro, mas afinal não”, disse à agência Lusa Louison, um francês, que vive em Lisboa há três meses.

O jovem contou que nos últimos meses foram acontecendo coisas no edifício, como infiltrações de água e derrocadas.

Nos últimos dois meses algumas coisas aconteceram. Há dois dias houve uma infiltração de água, que foi desde o primeiro andar até ao rés-do-chão, mas não contámos ao proprietário. Só falámos sobre a parede que caiu”, salientou.

A viver no primeiro andar do prédio contíguo ao edifício afetado, Louison teve de sair da residência universitária na sequência da derrocada e disse que, por agora, está a ficar num hostel. De acordo com o jovem, a Câmara Municipal de Lisboa distribuiu as pessoas da residência por hostels e por uma Pousada da Juventude, adiantando que vivem lá jovens de vários países como Alemanha, Espanha, França e Brasil.

Louison disse ainda que muitos deles pensam regressar aos seus países de origem. À Lusa, o francês mostrou um vídeo com imagens do interior da residência universitária, que revelam a degradação com fendas nas paredes.

Por seu turno, o dono de uma pastelaria que está há 60 anos naquela rua explicou que esta situação “já se arrasta há vários anos”, referindo que a Câmara de Lisboa fez uma vistoria há cerca de dois dias.

Na rua, há quatro ou cinco prédios assim. Há um desnível nas estruturas. Era percetível que isto ia acontecer. São guerras de heranças”, disse à Lusa António Cadete.

Para o comerciante, a situação causa prejuízos ao comércio local. “Dá um prejuízo incalculável. O comércio fica limitado. As pessoas têm de passar pelo meio da estrada”, realçou.

Chocada, uma outra comerciante da rua revelou que o edifício está “assim há, pelo menos, 10 anos” e que já é “o terceiro que está a cair”. “Esta rua parece que está assombrada. Não podem mandar abaixo e o proprietário está à espera que caia para não pagar [a demolição]”, disse Ana Nascimento.

Funcionária de um quiosque, desde 2009, contou que, no espaço de um ano, fecharam sete estabelecimentos na rua, reduzindo a afluência de pessoas para 20%.

A derrocada parcial de um prédio na Avenida Elias Garcia não provocou vítimas, mas obrigou ao realojamento de várias dezenas de estudantes de uma residência contígua, disse fonte da Câmara Municipal.

Por questões de segurança, os prédios contíguos, entre os números 120 e 130 (correspondentes a dois prédios), vão ficar interditados até que sejam efetuadas vistorias para avaliar as condições de segurança, motivo pelo qual uma creche ali localizada vai estar encerrada esta quinta-feira.

Na residência universitária, moram 80 estudantes, mas apenas 50 foram identificados e encaminhados até cerca das 23h de quarta-feira.