A Câmara Municipal de Lisboa (CML) garantiu esta sexta-feira uma solução para a Academia de Amadores de Música (AAM) até ao final do ano, que vai passar por um protocolo para a utilização de um edifício do património municipal.

“Existe aqui algum trabalho de formalização ainda a ser feito, mas nós estaremos, provavelmente, em condições de apresentar uma solução global – que passa por um protocolo, um acordo com a academia de música para um destino concreto que vem do património da câmara – e teremos uma solução, seguramente, até ao final de 2026″, avançou o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), em declarações à agência Lusa.

Estas declarações surgem na sequência de uma notícia avançada pelo Público na sexta-feira, sobre a anunciada transferência da instituição centenária para a Avenida de Berna, aprovada pela Câmara de Lisboa, em julho de 2025, que poderá, afinal, não vir a acontecer, porque a Estamo, empresa que gere o património imobiliário do Estado, pediu à câmara mais dinheiro pelo imóvel do que os cerca de 7,3 milhões de euros anteriormente acordados.

“As avaliações mais recentes que a Estamo fez sobre aquele imóvel é de um valor superior, creio que 8,5 milhões de euros e, portanto, digamos, prejudica a operação”, tendo-se avançado, em articulação com a AAM, para a análise de uma solução dentro do universo patrimonial da CML, explicou à Lusa Gonçalo Reis.

O autarca adiantou que já foram identificadas possibilidades concretas, encontrando-se a decorrer as visitas aos edifícios, com a academia de música, faltando “finalizar a solução definitiva”.

Depois, será preciso “desfazer” o modelo que estava previsto “e que já não irá acontecer” e formalizar “uma série de procedimentos” com a academia, apontou.

“É uma boa solução, é uma solução que agrada à Academia de Música e tem uma vantagem, que é uma solução dentro do património da Câmara Municipal, o que significa que não terá que desembolsar os 7,3 milhões de euros que estavam previstos”, ressalvou.

Questionado sobre por que motivo esta solução menos onerosa para a CML não tinha sido considerada antes, Gonçalo Reis respondeu que a autarquia “entretanto” fez um “levantamento adicional, mais minucioso e mais concreto das possibilidades do património da Câmara”.

“Estamos a encontrar soluções que são adequadas, que correspondam ao programa funcional da academia de música e que, depois de termos já feito visitas no concreto, são soluções que agradam à academia de música e, portanto, vamos caminhar nesse sentido”, vincou.

Fundada em 1884, com mais de 140 anos de atividade contínua, a AAM tem de sair das atuais instalações no Chiado, mas a data para que isso aconteça tem-se arrastado – primeiro tinha até agosto de 2025, depois esse prazo foi prolongado por mais um ano e agora há a possibilidade de ser até ao final do ano letivo 2026/2027.

Desde 2022 que a academia tem alertado para o risco de ficar sem instalações, por incapacidade para pagar a renda, que passou de 542 para 3.728 euros por mês, e por o proprietário pretender vender o prédio.

Por isso, apelou à ajuda da CML, o que culminou na decisão do executivo liderado por Carlos Moedas (PSD), aprovada por unanimidade em julho de 2025, de comprar um imóvel na Avenida de Berna, propriedade da Estamo, por 7,27 milhões de euros.

Em agosto, o presidente da academia, Pedro Martins Barata, tinha dito à Lusa que havia “uma intenção” por parte do vendedor de “fazer com que” aquele valor subisse e que a instituição não podia ir para a Avenida de Berna, porque estava “a ser inviabilizada, na prática, essa passagem por causa da negociação que a Estamo” estava “a querer fazer”, com a CML “arrastada para esta negociação” da compra que já tinha aprovado em 2025.

Na altura, em resposta à Lusa, o vice-presidente da CML assegurou que a autarquia mantinha o interesse na aquisição daquele imóvel, indicando que o investimento está previsto no orçamento e no plano de investimentos da CML e que se encontrava “a trabalhar em articulação com a Estamo, no sentido de formalizar esta operação”, logo que estivessem reunidas as condições necessárias.