A comissão eventual da Assembleia Municipal de Lisboa (AML) sobre o descarrilamento do elevador da Glória vai arrancar com as audições do vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, e da administração da Carris, decidiram esta quinta-feira os deputados municipais.

A comissão — criada por proposta do PS e aprovada em sessão plenária com os votos favoráveis de PS, PCP, BE, Livre, PEV e Chega e contra de PSD, CDS-PP e IL — esteve na manhã desta quinta-feira reunida por videoconferência, com o objetivo de acordar algumas entidades a ouvir sobre o acidente de 3 de setembro de 2025, que causou 16 mortos.

Presidida pelo socialista Hugo Lobo, a comissão concordou começar com as audições do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e vereador com o pelouro da Mobilidade, Gonçalo Reis (PSD), e a administração da Carris, que deverão agora ser agendadas.

O deputado Américo Vitorino (PSD) começou por questionar qual a intenção do PS com esta comissão, “tendo em consideração que existem muitas nuances, muitas variações em tons de cinzentos, sobre este assunto”.

Hugo Lobo respondeu que já não se trata de uma comissão do PS, mas sim da AML, porque foi aprovada por maioria em plenário, e que “como o próprio nome explicita, (…) é para o acompanhamento da resposta municipal ao acidente do ascensor da Glória”.

Pelo PEV, Cláudia Madeira defendeu chamar a CML e a administração da Carris, numa primeira fase, “para esclarecer algumas decisões, algumas responsabilidades e também como é que está a execução das medidas”, e ouvir também responsáveis técnicos, a Comissão dos Trabalhadores da Carris e os sindicatos, analisando depois a “necessidade de alargar a outras entidades” com responsabilidades nas questões de manutenção e fiscalização.

No mesmo sentido, António Valente (PAN) concordou ser essencial ouvir a CML e a Carris e, numa segunda fase, a empresa responsável pela manutenção, bem como “equacionar” ouvir entidades de socorro, como o INEM e a PSP, para perceber “qual é a capacidade de resposta que a cidade tem em situações de emergência”.

Pelo Livre, Ofélia Janeiro concordou com as audições da CML e da Carris, mas defendeu que devia ser chamado o presidente da CML, Carlos Moedas (CML), propondo ainda a audição da seguradora da Carris, a Fidelidade.

“Esta seguradora diz que aquele transporte não era seguro, ou seja, como é que se está a segurar um transporte que não é seguro para a população e ainda coloca na população a responsabilidade de o ter usado? Nada disto faz sentido”, enfatizou.

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Américo Vitorino recordou que o presidente da Câmara Municipal não é chamado às comissões, mas sim os vereadores com o pelouro, considerando que “a proposta do Livre espelha mesmo a vontade de chicana política dirigida diretamente ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa”.

Luís Pereira Nunes, do Chega, manifestou vontade de ouvir os responsáveis pelo outsourcing da manutenção e pela investigação ao acidente de 2018, “do qual não se sabe nada”.

Já Martim Borges de Freitas, do CDS-PP, lembrou que o regimento define que determinadas reuniões podem não ser abertas à comunicação social, defendendo que “a presença permanente de jornalistas” pode influenciar as entidades a aceitar ou não serem ouvidas na comissão, bem como aquilo que dizem ou não.

Maria Escaja, do BE, subscreveu a proposta do Livre para ouvir a seguradora: “a postura de que este transporte não era seguro e os utilizadores o sabiam e que, portanto, conscientemente usaram um transporte não seguro não é a posição que conhecíamos e não pode ser o escudo de uma seguradora”, vincou.

Pedro Bugarin, da IL, manifestou dúvidas quanto à legitimidade da AML para chamar a seguradora e sobre as perguntas que lhe poderiam ser feitas, tendo o Livre, o PAN e o CDS-PP esclarecido que uma entidade municipal chamada pela AML é praticamente obrigada a comparecer, enquanto uma entidade externa pode ser convidada pela AML, mas não é obrigada a comparecer.