Luís Marques Mendes considera que Ferro Rodrigues “foi bastante infeliz” na intervenção que fez quando repreendeu André Ventura, líder do Chega. Para o comentador da SIC “querer proibir no Parlamento a palavra ‘vergonha’ ou ‘vergonhoso’ é um completo exagero”, além de contraproducente porque “em vez de afetar André Ventura, dá-lhe palco, importância e estatuto”. “Reagir a André Ventura exige mais inteligência, frieza e serenidade”, considerou Marques Mendes este domingo no seu habitual comentário televisivo.

Além do conflito entre o Presidente da Assembleia da República e André Ventura, o comentador da SIC comentou ainda as quezílias entre António Costa e Mário Centeno, dizendo que são “graves”: “Estão em rota de colisão. O primeiro-ministro tornou isso público, não evitou que fosse público”, insiste Marques Mendes.

Para o comentador, a discussão entre António Costa e Centeno em pleno Conselho Europeu terá como consequência o “enfraquecimento” do ministro. “Fica fragilizado perante os seus colegas de governo e fica fragilizado perante as bancadas da Assembleia da República. Com um requinte de malvadez de tudo ter sido feito em vésperas de debate orçamental”, considerou Marques Mendes.

Ainda assim, “isto também é mau” para António Costa, acrescentou: “Exercer o poder é um sinal de força. Exibi-lo é sinal de fraqueza.”

Tudo isso estará a acontecer por causa de um “mal-estar acumulado” desde que António Costa “deu a volta” ao ministro para não se candidatar a Comissão Europeia; depois por “não o ter ajudado” quando Centeno pretendia candidatar-se ao FMI. A posição do primeiro-ministro surgiu por “perda de poder”, considerou Marques Mendes: “Centeno foi ganhando popularidade e poder — um poder como nunca um ministro das Finanças teve em Portugal. Isto significa poder a mais no ministro e poder a menos no primeiro-ministro”, interpreta o comentador da SIC.

Para Marques Mendes, esta relação é “explosiva”: “Centeno tem os louros, Costa tem os problemas. O ministro deu credibilidade ao Governo, mas também lhe criou problemas, nos serviços públicos e no investimento. Só que os louros das contas certas são do ministro e a fatura dos serviços públicos é de Costa”, considerou o comentador.

Luís Marques Mendes falou também sobre o Orçamento de Estado para 2020, que será entregue na segunda-feira. O comentador realçou que é “histórico” um orçamento sem défice e com excedente orçamental: “Nunca aconteceu em democracia. E nunca aconteceu desde 1970. E é decisivo. É um sinal de credibilidade internacional de Portugal”, considerou.

Do que se sabe sobre o documento, Marques Mendes considera “positiva” a “preocupação com o apoio às empresas”: “É preciso colocar o país a criar riqueza para que ela possa ser distribuída de forma sustentável”, comentou. Um dado negativo é que, “do que se conhece, volta a ser um Orçamento do Estado sem ambição”, adjetivou o comentador da SIC: “Não há medidas de fundo, é tudo poucochinho. Estamos a meio da tabela no crescimento económico, estamos a meio da tabela na educação, estamos a meio da tabela na saúde. Falta iniciativa, arrojo e ambição”, concluiu.