“O Sporting jamais se ajoelhará a esta escumalha” — foi desta forma que Frederico Varandas terminou a curta conferência de imprensa que protagonizou em Ponta Delgada, pouco depois de ter aterrado na ilha de São Miguel onde os Leões irão defrontar o Santa Clara esta segunda-feira, 16 de dezembro.

As suas declarações eram especialmente aguardadas por culpa dos acontecimentos do passado domingo, quando a equipa de futebol chegou ao Açores e foi recebida com cânticos que diziam “Alcochete Sempre”, alusão ao polémico caso em que um grupo de encapuçados invadiram um treino do clube verde e branco e agrediram o plantel principal do clube lisboeta.

Comitiva recebida com “Alcochete sempre” nos Açores, Sporting diz “não recuar perante ameaça e ódio”

Embora confirma a presença de elementos da claque nos Açores, a Juventude Leonina diz repudiar “categoricamente o ocorrido” e assegura que não foram estes “a proferir um cântico evocativo de um episódio de que ninguém se pode orgulhar e, muito menos, contribuir para prejudicar um julgamento que está a decorrer”, lê-se numa nota publicada na página do Facebook da claque. “Acresce ainda, que as autoridades, presentes em grande número no local, sabem bem quem proferiu tais cânticos”, escreveram ainda.

Também o Diretivo Ultras XXI garantiu, também em comunicado, que “nenhum dos seus associados esteve presente no aeroporto ou no hotel onde ficou alojada a equipa de futebol profissional do Sporting Clube de Portugal”.

Sem nunca explicar quem era a tal “escumalha” a que se referia, Varandas começou por frisar que essas pessoas não só “não têm mais lugar no Sporting” como”só querem duas coisas: que o Sporting perca e que o tempo volte para trás.” Por muito que já tenha passado um ano e meio desde aquele que muitos dizem ser o dia mais negro da história deste clube centenário, Varandas explicou que ele ainda está muito presente não só na estrutura do clube mas principalmente entre os jogadores. Sobre eles o presidente diz ainda impressionar-se ao ouvir “jogadores como o Mathieu, que tem 36 anos e já ganhou a Champions” dizerem que ainda estão traumatizados. Ou como Ristovski, que ainda diz ter “ansiedade antes dos jogos, medo de que se eles não correrem bem possa voltar a acontecer o mesmo.”

Para Frederico Varandas, os responsáveis por estes cânticos “só querem que o Sporting perca” e sabem que comportamentos como o deste fim-de-semana ainda afetam os jogadores e trazem ao de cima algo que ainda está muito presente na memória de todos, muito porque o seu impacto não foi só desportivo mas também financeiro: “Nesse dia, entre rescisões e vendas, o Sporting perdeu cinco dos jogadores mais valiosos do plantel. Para além disso perdeu também dezenas e dezenas de milhões de euros. Este desastre desportivo e financeiro mataria muitos clubes neste mundo. Hoje ainda estamos frágeis e a reerguermo-nos do que aconteceu.”

Sobre os cânticos em si Varandas limitou-se a deixar claro que esses comportamentos são um “crime público”, que é ofensa, incitação à violência e ao ódio. “Uns cobardes, que agem em grupo e andam encapuçados, não podem estar acima da lei”, rematou. Ora este problema que tem assombrado o clube leonino nos últimos tempos é, para Varandas, algo que não se resume ao clube mas representa algo maior, um problema “da sociedade portuguesa” que o Sporting está preparado para “enfrentar sozinho”.

[Notícia atualizada às 17h32 com os comunicados das claques]