Mais até do que o resultado, que acabou por não traduzir na sua plenitude a exibição, o triunfo da Juventus diante da Udinese deu razão a todos aqueles que consideram que a melhor opção ofensiva da equipa passa pela utilização em simultâneo de um tridente com Dybala, Higuaín e Cristiano Ronaldo. Mas estaria já também Maurizio Sarri convencido dessa solução? “Bem, com Douglas Costa também formamos um tridente… Veremos em que condições estarão os jogadores, tenho de falar com eles e com os médicos porque Ramsey está a voltar”, comentou.

Na antecâmara da Supertaça de Itália, o primeiro troféu oficial da temporada que se realiza na Arábia Saudita no domingo (a Juventus defronta a Lazio), os campeões italianos anteciparam o seu jogo da 17.ª jornada chegando a Génova para defrontar a Sampdória com a possibilidade de se isolarem na liderança da Serie A, aproveitando o empate do Inter em Florença na última ronda que colocou as duas equipas empatadas com 36 pontos. E foi essa proximidade na classificação que fez com que a Vecchia Signora evitasse grandes mudanças na equipa. Ronaldo, esse, voltou a ser titular num dezembro que lhe corre melhor do que nunca a nível de eficácia.

Depois das críticas transversais pela reação após a substituição no encontro com o AC Milan, o avançado português ainda descansou uma jornada mas voltou na Liga dos Campeões, alinhando os 90 minutos do triunfo frente ao Atl. Madrid em Turim. A seguir, deu início à melhor série de encontros consecutivos desde que chegou a Itália: um golo ao Sassuolo (2-2), um golo à Lazio (1-3), um golo do Bayer Leverkusen (2-0) e dois golos à Udinese (3-1), tudo num mês de dezembro que também se explica pelo facto de “não ser normal”, como contou Benatia, e onde se tornou o primeiro jogador a marcar pelo menos dez golos ao longo das últimas 15 temporadas.

Cristiano Ronaldo. Ele salta mais alto desde 2004 (e a ciência explica porquê)

“Num jogo em Bérgamo fomos os dois suplentes, porque três dias depois íamos jogar e o treinador fez algumas rotações. Quando estávamos no autocarro de volta a Turim, Ronaldo enviou-me uma mensagem”, contou o defesa marroquino, reproduzindo a conversa antes de elogiar o capitão da Seleção Nacional.

– O que vais fazer agora?
– São onze horas da noite, vou para casa, porquê?
– Apetece-te fazer uma sessão de ginásio? Não transpirei hoje e preciso. Não queres ir comigo?
– Só quero chegar a casa e sentar-me a ver TV…

“Quando privas com ele [Ronaldo] respeita-lo ainda mais, ele sacrificou a vida pelo futebol”, destacou Benatia à RMC Sport a propósito de mais episódio que mostrou a vontade de Ronaldo ser melhor aos 34 anos.

Sarri voltou a apostar na mesma equipa, com a inclusão de Pjanic no lugar de Betancur como pivô do meio-campo, e teve a melhor resposta nos primeiros 30 minutos, com a Juve a agarrar no comando do jogo apesar das saídas com algum perigo da Sampdória e a chegar à vantagem por Dybala, num fantástico pontapé de pé esquerdo de primeira após cruzamento da esquerda de Alex Sandro (19′) já depois de Ronaldo ter deixado uma ameaça inicial de cabeça (16′). Caprari materializou a melhoria dos visitados com o empate pouco depois da meia hora (34′) mas, em cima do intervalo, o português voltou a marcar pelo quinto encontro consecutivo, de novo com Alex Sandro na assistência a partir do lado esquerdo antes de CR7 parar no ar antes de desviar para o 2-1 (45′).

No segundo tempo, a intensidade do encontro baixou, Ronaldo ainda voltou a marcar num lance anulado por fora de jogo mas a Juventus manteve a vantagem, naquele que foi o quinto encontro consecutivo a marcar (e todos em dezembro) que deu a liderança isolada da Serie A na antecâmara do primeiro troféu da temporada.