A geração elétrica a partir do carvão abasteceu 10% do consumo nacional no ano passado. Dados da REN (Redes Energéticas Nacionais) revelam que esta percentagem é a mais baixa desde 1989, ano em que entrou em funcionamento a central de Sines, a maior unidade de produção desta tecnologia que tem a morte anunciada em Portugal para 2023. O ano elétrico foi ainda marcado pelo regresso do saldo negativo com Espanha depois de três anos consecutivos em que as exportações foram mais fortes. A eletricidade vinda de fora abasteceu 7% da procura, num ano em que o consumo caiu 0,2%.

Para além da decisão política de descontinuar esta tecnologia que é uma grande emissora de gases de efeito estufa, a competitividade das centrais a carvão tem sido penalizada pelo aumento do custo das licenças de CO2 no mercado de carbono, necessárias para estas instalações, e pela retirada progressiva das isenções fiscais atribuídas a este combustível.

Com o recuo do carvão, que para além de Sines é também usado na central do Pego, o gás natural recupera definitivamente o papel como a principal tecnologia térmica do sistema elétrico, funcionando como o backup para uma oferta cada vez mais verde, ou seja, renovável. As centrais de ciclo combinado — em Portugal há quatro: Pego em Abrantes, TER no Carregado, Lares na Figueira da Foz e a Turbogás em Gondomar — foram responsáveis por 32% do consumo português. E ainda foram a tecnologia com maior peso no mix energético.

No entanto, a quota das centrais que usam combustíveis fósseis foi inferior a metade do consumo, com as fontes renováveis a assegurar mais de metade da procura de eletricidade em Portugal, cerca de 51%. Nesta parcela, o destaque vai para a energia eólica que atingiu no ano passado o maior peso de sempre no abastecimento ao consumo, 27%. Mas também para a energia fotovoltaica (painéis solares) que foi a que mais cresceu apesar de ainda não ultrapassar os 2,1% do total. Esta tecnologia irá aliás continuar a ganhar espaço, na medida em que foi entregue uma capacidade de 1.400 megawatts no leilão realizado no ano passado.

A energia hidroelétrica representou 17% do consumo, um valor relativamente baixo face ao histórico desta forma de produção e que resulta das condições climatéricas que se verificaram em grande parte do ano. Apesar da recuperação verificada no final de 2019, com a chuva que caiu a partir de novembro, o índice de produtibilidade hidroelétrica anual situou-se em 0,81, enquanto o índice de produtibilidade eólica registou 1,05. A biomassa contribuiu com 5,5% para abastecer o consumo.