O advogado Robert Abela, de 42 anos, foi este domingo eleito líder do Partido Trabalhista de Malta, e consequentemente primeiro-ministro do país, após a demissão de Joseph Muscat.

Abela, filho do antigo Presidente maltês George Abela, assume o cargo para os restantes dois anos e meio, até setembro de 2022.

O advogado, visto como uma solução de continuidade em relação ao antecessor, que deixou a liderança do partido, na sequência de denúncias de interferências no inquérito ao homicídio, em 2017, da jornalista Daphne Caruana Galizia.

A maioria dos 17.500 eleitores membros do Partido Trabalhista (Labour), que realizou pela primeira vez eleições diretas para escolher o líder, preferiu Abela e a promessa de continuação das “fórmulas vencedoras” de Muscat, ao cirurgião Chris Fearne, de 52 anos, vice-primeiro-ministro cessante que defendia grandes reformas.

Robert Abela, que sempre foi militante dos Trabalhistas, foi eleito deputado nas últimas legislativas de 2017, convocadas antecipadamente por Muscat. O Labour venceu o escrutínio, apesar dos vários escândalos em torno de colaboradores próximos do ex-primeiro-ministro.

Em 01 de dezembro último, Joseph Muscat anunciou a demissão do cargo de líder partidário e do Governo, na sequência de manifestações de movimentos cívicos e da família de Daphne Caruana, que acusaram o chefe de Governo de proteger colaboradores próximos, como o chefe de gabinete Keith Schembri.

De acordo com Jorge Fenech, empresário acusado, depois de ter tentado fugir de Malta no seu iate no final de 2019, de cumplicidade no assassínio da jornalista, em outubro de 2017, com uma bomba colocada no seu automóvel, Schembri foi o “verdadeiro mandante” do homicídio.

A jornalista Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, divulgou terem sido alegadamente pagos subornos no valor de dois milhões de euros a Schembri e ao ministro da Energia de então Konrad Mizzi por uma sociedade do Dubai, a 17 Black.

O consórcio de jornalistas Daphne Project, que retomou as investigações, descobriu que aquela sociedade pertencia a Fenech.

Questionado pela polícia, no final de novembro, Schembri saiu em liberdade e não foi acusado.