Em agosto, quando o Sporting foi goleado pelo Benfica na Supertaça Cândido de Oliveira, um objetivo que os leões tinham para a temporada caiu. Em outubro, quando o Sporting foi eliminado pelo Alverca na Taça de Portugal, um objetivo que os leões tinham para a temporada caiu. Ao longo de novembro e dezembro, entre várias derrotas e consecutivas vitórias de FC Porto e Benfica na Liga, um objetivo que os leões tinham para a temporada caiu. Esta terça-feira, ao ser eliminado pelo Sp. Braga na meia-final da Taça da Liga, um objetivo que os leões tinham para a temporada caiu.

Ao 21.º dia de janeiro, quando faltam pouco mais de quatro meses para o final da temporada, o Sporting vê-se competitivamente reduzido à Liga Europa — onde as ambições, por motivos óbvios, terão sempre de ser realistas. Foi eliminado da Taça de Portugal onde era o detentor do título, foi eliminado da Taça da Liga onde era o detentor do título, está no quarto lugar da Liga a 19 pontos do Benfica e a 12 do FC Porto e ainda atrás do Famalicão. Excluindo a Liga Europa, o objetivo palpável do Sporting esta temporada está restrito única e exclusivamente ao terceiro lugar da classificação.

Quanto a Silas, sofreu ao 20.º jogo no comando técnico do Sporting a sétima derrota, naquele que foi o segundo desaire consecutivo dos leões e que é já o segundo pior registo da equipa esta temporada — apenas superado pelas três derrotas seguidas em setembro, ainda com Leonel Pontes como interino depois da saída de Marcel Keizer. Em quatro jogos em 2020, o Sporting perdeu três: curiosamente, contra as três equipas que podem ser considerados os principais rivais dos leões, FC Porto, Benfica e Sp. Braga.

Até maio, até final da temporada, este Sporting só pode perder mais três vezes para não se tornar no pior Sporting de sempre. Contra o Sp. Braga, os leões somaram a 12.ª derrota da época, mais do que na totalidade de cada um dos dois últimos anos — 11 em 2018/19, 10 em 2017/18 –, e estão a apenas três do pior registo da história do clube. Em 2000/01 e em 2012/13 (ano em que os leões terminaram o Campeonato em sétimo lugar), a equipa de Alvalade somou 15 derrotas ao longo de toda a temporada.

No final do jogo, Silas garantiu que a partida mudou por completo depois da expulsão de Bolasie, por volta da hora de jogo. “A leitura ao jogo é fácil: estava equilibrado, depois a partir dos 60′, com menos um, o Sp. Braga foi superior. Fez golo numa segunda bola mas já estávamos muito desgastados. A expulsão acabou por pesar muito, uma expulsão que na minha opinião não faz sentido, não podemos ver frame a frame, o jogador escorrega, vai à disputa de bola, ainda a corta e depois vai com imprudência. O jogador vem de uma escorregadela, não percebo como o VAR não vê uma escorregadela. Cartão amarelo ainda admitia”, defendeu o treinador leonino.

“Agora depois do resultado e nos próximos dias é difícil de gerir a equipa. Depois começa a ser menos difícil. Todos os jogos que perdemos são sempre difíceis. Era um dos objetivos. Se o jogo acabasse 11 para 11 podíamos discutir o resultado até ao final. A expulsão condicionou tudo. A expulsão do Jérémy [Mathieu] é já de cabeça perdida. Queixou-se de uma mão nas costas do Paulinho e sentiu-se injustiçado e perdeu um bocado a cabeça. Depois os jogadores do Sp. Braga reagem para defender o colega e nós os nossos. Não deve acontecer mas acontece. Não acho que seja nada de anormal o que aconteceu porque acontece várias vezes”, explicou ainda, já sobre o momento no período de descontos em que vários jogadores de ambas as equipas se envolveram em confrontos.

Sobre os lenços brancos e os assobios que apareceram nas bancadas do Municipal de Braga, Silas garantiu que “não liga” a esse tipo de críticas. “Não estou aqui para olhar para os lenços brancos, nem os vi. Não ligo muito a isso, mas sim ao trabalho diário. Tenho capacidade para estar aqui, por isso, não penso nisso, mas sei que os resultados é que mandam. Se não ganharmos vão aparecer cada vez mais lenços brancos. Vou ter uma carreira boa, com lenços ou sem lenços o trabalho é sempre o mesmo e é bastante”, concluiu o técnico do Sporting.

Quanto ao Sp. Braga, soma à vitória sobre o FC Porto no Dragão outra perante o Sporting e chega à final da Taça da Liga três anos depois, que vai disputar em casa contra o FC Porto ou o V. Guimarães. Rúben Amorim mantém-se invicto desde que substituiu Ricardo Sá Pinto, com quatro vitórias em quatro jogos, e os minhotos vão procurar confirmar o bom momento com a conquista do troféu que já ganharam uma vez, em 2012/13. No final do jogo, Rúben Amorim revelou ainda que Mathieu foi ao balneário do Sp. Braga pedir desculpa a Ricardo Esgaio, jogador que atingiu com uma entrada dura já nos descontos, acabando por ser expulso. “O Mathieu foi ao nosso balneário, puxou pelo Esgaio e pediu desculpa ao jogador. Ver um jogador desta categoria fazer isto realça a sua qualidade e a grandeza do clube dele”, disse o treinador minhoto.