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Mathieu, o pai de família que virou a mesa de jantar e é exemplo de tudo o que corre mal (a crónica do Sp. Braga-Sporting)

Marcou na primeira parte, foi um dos melhores da equipa, foi expulso num lance que em nada o retrata. Mathieu é o exemplo do que vai mal no Sporting, que foi eliminado pelo Sp. Braga da Taça da Liga.

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O central francês marcou o único golo dos leões no jogo

AFP via Getty Images

O central francês marcou o único golo dos leões no jogo

AFP via Getty Images

Nas conferências de imprensa de antevisão da primeira meia-final da Taça da Liga surgiram duas figuras e dois nomes que normalmente escapam às manchetes dos jornais desportivos, à crítica da opinião pública e à discussão nos mediáticos programas de debate televisivo. Micael Sequeira e Emanuel Ferro, treinadores adjuntos, respetivamente, de Sp. Braga e Sporting, foram chamados a falar sobre o jogo desta terça-feira e terão de cumprir novamente essa mesma função depois da partida, na conferência de imprensa de rescaldo.

Micael Sequeira e Emanuel Ferro são dois nomes que, à exceção dos adeptos dos respetivos clubes que representam, dificilmente seriam reconhecidos pelo comum dos mortais — mesmo pelos mais atentos ao futebol. Acontece que, fruto dos tempos que vivemos e também de uma certa coincidência, tanto o treinador principal do Sp. Braga como o treinador principal do Sporting não possuem o nível IV do curso, estando por isso impedidos de participar nas habituais conferências de imprensa de antevisão e de rescaldo.

Ficha de jogo

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Sp. Braga-Sporting, 2-1

Final Four da Taça da Liga

Estádio Municipal de Braga, em Braga

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

Sp. Braga: Matheus, Tormena, Raul Silva, Bruno Viana, Esgaio, João Novais (André Horta, 82′), Fransérgio, Sequeira (Rui Fonte, 77′), Galeno, Paulinho, Ricardo Horta (Trincão, 69′)

Suplentes não utilizados: Eduardo, Wilson Eduardo, Murilo, David Carmo

Treinador: Rúben Amorim

Sporting: Luís Maximiano, Ristovski, Coates, Mathieu, Acuña, Battaglia, Doumbia (Bolasie, 45′), Wendel, Bruno Fernandes, Rafael Camacho, Luiz Phellype (Luís Neto, 69′)

Suplentes não utilizados: Renan, Eduardo, Gonzalo Plata, Borja, Pedro Mendes

Treinador: Silas

Golos: Ricardo Horta (8′), Mathieu (44′), Paulinho (90′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Sequeira (17′), Esgaio (20′), Raúl Silva (44′), Coates (45′), Bruno Fernandes (56′), Paulinho (79′), Luís Maximiano (84′), Acuña (90+7′), Battaglia (90+7′), a Galeno (90+7′), a Ristovski (90+7′); cartão vermelho direto a Bolasie (61′), a Mathieu (90+3′), a Eduardo (90+7′)

Rúben Amorim e Silas, que chegaram a ser colegas de equipa no Belenenses, estão unidos pelo facto de terem chegado ao atual clube já na presente temporada mas também pela polémica e mediática questão do nível IV de treinador que até os impede, em teoria, de se levantarem do banco e darem ordens aos jogadores que estão dentro de campo. Não obstante, eram Rúben Amorim e Silas quem esta terça-feira comandava Sp. Braga e Sporting na final four da Taça da Liga — numa reedição da meia-final do ano passado, de onde os leões saíram vencedores e que deu origem a uma reação zangada de Abel Ferreira às decisões de arbitragem que acabou popularizada nas redes sociais durante vários meses.

Estando ambos fora da Taça de Portugal, um em quinto lugar e outro em quarto, ainda na Liga Europa mas com objetivos obviamente limitados, Sp. Braga e Sporting olhavam para a Taça da Liga como uma espécie de salvação ligeira de uma temporada que se está a revelar muito curta para os dois clubes. De um lado, os minhotos tinham a oportunidade de regressar à final da competição três anos depois, de voltar a conquistar o troféu sete anos depois e de disputar a final em casa, no Municipal de Braga; do outro lado, os leões procuravam a terceira final consecutiva, a terceira conquista consecutiva do troféu e aquela que poderia tornar-se a única linha positiva de uma época que já é de má memória.

As duas equipas chegavam à Taça da Liga em momentos algo díspares: se o Sp. Braga venceu o FC Porto no Dragão na passada sexta-feira, numa demonstração de força que demarca desde já os minhotos de Rúben Amorim dos minhotos de Ricardo Sá Pinto, o Sporting recebeu no mesmo dia o Benfica e perdeu o segundo dérbi da temporada, ficando a 19 pontos da liderança e a 12 dos dragões. Ainda com Bruno Fernandes à disposição, cuja ida para o Manchester United parece estar constantemente eminente mas nunca fica fechada, Silas voltava a deixar Jesé de fora da convocatória e chamava Pedro Mendes — isto numa altura em que a chegada de Sporar, o esloveno do Slovan Bratislava, carece apenas de confirmação oficial.

A principal surpresa nos leões era a presença concomitante de Battaglia e Doumbia no meio-campo. Silas apostou num reforço da linha intermédia, com o argentino mais recuado e o costa-marfinense mais tombado na direita, em linha com Wendel, que caía no lado oposto. Mais à frente, Bruno Fernandes ocupava o lugar que é normalmente de Bolasie e Camacho ficava na ala contrária, no apoio direto a Luiz Phellype — ainda que o capitão aparecesse nas costas do avançado brasileiro em várias ocasiões. Do outro lado, Rúben Amorim lançava João Novais para render João Palhinha (impedido de jogar por estar cedido pelo Sporting) e apostava na titularidade de Ricardo Horta e Galeno, em detrimento de Trincão e Wilson Eduardo, que atuaram de início contra o FC Porto.

O Sp. Braga entrou claramente melhor, com Paulinho a atirar o primeiro remate logo aos três minutos. Os minhotos apresentavam-se à semelhança daquilo que tem sido habitual desde que Rúben Amorim substituiu Ricardo Sá Pinto: com uma linha mais recuada de cinco que desmontava em três quando a equipa tinha a bola, com Esgaio e Sequeira a assumirem todo o corredor. O Sp. Braga revelou um claro ascendente nos minutos iniciais, ao aplicar uma pressão muito forte ao portador da bola que empurrava o Sporting para o próprio meio-campo e cortava todas as linhas de passe possíveis. O primeiro golo do jogo acabou por surgir exatamente por intermédio de uma pressão alta sobre Battaglia, que acabou por perder a bola ainda perto da grande área de Luís Maximiano.

Paulinho recebeu à entrada da grande área e tentou o remate mas acabou desarmado e a bola sobrou para Ricardo Horta: tombado na direita, sozinho e sem oposição, o avançado português teve todo o tempo do mundo para dominar a bola, armar o remate e atirar cruzado para o poste mais distante (8′). Nos minutos seguintes, a pressão intensa do Sp. Braga manteve-se e o Sporting não conseguiu sair do próprio meio-campo com a bola controlada e no chão durante o primeiro quarto de hora. Wendel não aparecia, Bruno Fernandes fazia toda a largura do relvado mas não tinha linhas de passe nem era alimentado e Doumbia está longe de ser o típico médio de transporte que leva o jogo desde a fase mais recuada da construção até à mais adiantada.

A partir do primeiro quarto de hora, e principalmente a partir de um remate de Bruno Fernandes que foi a coisa mais parecida com um lance de perigo que o Sporting havia criado até então (25′), os leões souberam libertar-se do asfixiamento que estava a ser aplicado pelo Sp. Braga e subiram as linhas, de forma a chegar mais perto da baliza de Matheus. Rafael Camacho esteve perto de empatar, depois de um erro de Ricardo Horta que o avançado ia aproveitando (30′), e a equipa de Silas ia conseguindo avançar a pulso no relvado — ainda que nunca assumindo o total controlo do jogo, com o Sp. Braga a manter-se ligado à partida, com especial exemplo num remate forte de Galeno que assustou Luís Maximiano (35′).

O Sp. Braga conseguia ter muita mobilidade no meio-campo leonino, graças à passividade da linha defensiva da equipa de Silas, e nos últimos minutos antes do intervalo voltou a recuperar alguma posse de bola. Ainda assim, e quando o conjunto de Rúben Amorim já só pensava certamente na vantagem que ia levar da primeira parte, houve uma falta numa zona pouco perigosa do corredor esquerdo do ataque leonino. Bruno Fernandes bateu de forma rápida e isolou Mathieu, que em velocidade e como se os 36 anos que leva no documento de identificação fossem um mero pormenor atirou rasteiro e cruzado à saída de Matheus, empatando a meia-final (44′).

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Sp. Braga-Sporting:]

No início da segunda parte, e depois de ter entrado algo receoso na partida — sinal disso foi a coexistência de Doumbia e Battaglia no meio-campo –, Silas optou por arriscar e lançar Bolasie no ataque, retirando precisamente o médio costa-marfinense. O avançado ex-Everton foi ocupar o lugar que tem sido seu, tombado na direita do ataque, e Bruno Fernandes recuou para uma zona mais interior e com mais liberdade, voltando o Sporting àquilo que tem sido o modelo mais comum desde que Silas chegou ao clube.

O jogo voltou para a segunda parte melhor do que o que tinha saído da primeira e exemplo disso mesmo foram as duas oportunidades de golo, uma para cada lado, que apareceram logo nos primeiros minutos: Fransérgio atirou em zona frontal para a baliza, para Luís Maximiano encaixar (50′), e Battaglia cabeceou para uma grande defesa de Matheus na sequência de um canto (52′). O Sporting subiu as linhas e aproximou-se da grande área adversária, numa clara subida de rendimento face àquilo que tinha mostrado no primeiro tempo, mas o Sp. Braga continuava a ter muita facilidade em aparecer em espaços interiores do meio-campo leonino, principalmente através das diagonais feitas por Galeno. O avançado realizou uma exibição acima da média, principalmente na segunda parte, e venceu praticamente todos os duelos com Ristovski, desbloqueando situações que à partida pareciam perdidas.

Por volta da hora de jogo, quando a partida atravessava um dos momentos mais competitivos até então, Nuno Almeida foi chamado pelo VAR a consultar as imagens de um lance entre Bolasie e Sequeira. Depois de analisar a jogada, o árbitro algarvio decidiu expulsar com vermelho direto o avançado congolês do Sporting, que aplicou uma entrada muito dura sobre o jogador minhoto. Bolasie deixou os leões reduzidos a dez unidades pelo segundo jogo consecutivo na Taça da Liga — também foi expulso com o Portimonense, mas aí por acumulação de amarelos — e Silas decidiu fechar os caminhos da baliza de Maximiano, privilegiando claramente não sofrer golos ao invés de procurar marcá-los.

Entrou Luís Neto, que regressou à competição depois de ausência por lesão, e saiu Luiz Phellype. O central português foi para perto de Coates e Mathieu, passando o Sporting a atuar com uma linha defensiva de cinco, e Bruno Fernandes e Rafael Camacho assumiram o papel de homens mais adiantados da equipa. Do outro lado, Rúben Amorim reagiu com a entrada de Trincão e a saída de Ricardo Horta, que perdeu preponderância da primeira para a segunda parte.

O Sporting fechou-se por completo no próprio meio-campo, com a clara intenção de levar a meia-final para a decisão por grandes penalidades, e o Sp. Braga controlou por completo a posse de bola, ainda que sem grande critério nem grandes oportunidades de golo. Em cima dos 90′, quando Silas já estava preparado para lançar Renan, a pensar nos penáltis, e o Municipal de Braga já se ia conformando com a ideia de mais uma meia-final decidida através dos castigos máximos, Paulinho voltou a fazer o que havia feito na sexta-feira com o FC Porto e resolveu as contas. Raúl Silva assistiu de cabeça no segundo poste, depois de um cruzamento a partir da direita, e o avançado português apareceu nas alturas a cabecear para colocar o Sp. Braga na final da Taça da Liga (90′).

Até ao final, Mathieu ainda viu vermelho direto depois de uma entrada muito dura sobre Esgaio, deixando o Sporting reduzido a nove elementos, e os jogadores das duas equipas, assim como vários elementos das equipas técnicas, envolveram-se em confrontos que terminaram com quatro cartões amarelos e um vermelho — para Eduardo, guarda-redes suplente dos minhotos. O Sp. Braga está na final da Taça da Liga três anos depois, vai disputar a conquista do troféu em casa e fica agora à espera de saber se encontra V. Guimarães ou FC Porto no próximo sábado. Quanto ao Sporting, falha a reconquista do título, falha o único objetivo palpável que ainda restava na temporada e esvazia quase por completo a época ainda em janeiro. E o melhor exemplo para a instabilidade e o sentimento de frustração que se vive em Alvalade é Mathieu: que marcou, foi um dos melhores em campo e acabou a ser protagonista de uma situação de total descontrolo emocional que não costuma permitir.

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