O primeiro-ministro António Costa comentou publicamente o caso Luanda Leaks e as ligações de Isabel dos Santos a Portugal, insistindo na ideia de que deve haver uma “separação clara” das suspeitas que recaem sobre a empresária e as empresas portuguesas em que ela própria está envolvida.

“A investigação a qualquer vicissitude que atinja um acionista não tem de contaminar essas empresas, nem deve. Sobretudo se elas tiverem boas práticas de gestão”, sublinhou o primeiro-ministro, ao ser confrontado com perguntas dos jornalistas, esta quarta-feira. “Portanto, [deve haver] uma separação muito clara daquilo que são a sua atividade e os seus ativos dos seus acionistas”, acrescentou.

Questionado diretamente sobre a situação da Efacec, cujo presidente é o conhecido braço-direito de Isabel dos Santos, Mário Leite da Silva, e onde 75% do capital é detido por Isabel dos Santos, António Costa disse não conhecer “em pormenor” a investigação a Isabel dos Santos, mas quis deixar um reforço de confiança na Efacec: “A investigação incide sobre uma acionista e não sobre a empresa”, afirmou.

Para além da Efacec, que se destaca no setor energético, Isabel dos Santos tem ainda uma presença de relevo na NOS, onde uma empresa que controla a meias com a Sonae, a Zopt, detém 52% da participação da operadora.

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Quanto às acusações levantadas pelo Bloco de Esquerda sobre um possível “tratamento especial” dado pelo Governo português à empresária, António Costa reagiu dizendo que não existiu qualquer tratamento diferenciado, “nem de favor, nem de desfavor”. E ainda lançou farpas ao partido: “O Bloco deve desconhecer claramente os factos, mas se Catarina Martins quiser esclarecer algum ponto do funcionamento do meu gabinete, pode sempre telefonar ou visitar-me”.

(Artigo corrigido às 19h30 para clarificar a participação de Isabel dos Santos na NOS: não é de 52%, mas sim de metade desses 52%, através da Zopt).