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Pode-se ficar a saber muito sobre uma pessoa pelo lugar que escolhe no avião. Os introvertidos escolhem janela, quem quer trabalhar no voo opta mais vezes pelo corredor. E se dois administradores da mesma empresa, num voo entre Lisboa e Porto, preferem sentar-se em pontas opostas do avião, é normal que quem os conheça levante um sobrolho desconfiado.

Em 2010, quando o gestor Mário Leite da Silva — um dos portugueses que aparece nos documentos revelados pelo Luanda Leaks neste domingo, dia 19 de janeiro — já colaborava há quatro anos com a empresária angolana Isabel dos Santos, a filha mais velha do ex-Presidente de Angola foi buscar Vasco Rites à PwC (PricewaterhouseCoopers) do Porto, empresa de consultoria por onde Mário Leite da Silva tinha passado. Na verdade, terá sido Leite da Silva quem escolheu Vasco Rites. Não chegaram a cruzar-se nos escritórios da PwC no Porto, na rua António Bessa Leite, mas sim em contexto profissional.

Vasco Rites deu-se bem. Ascendeu no universo Isabel dos Santos. Uma fonte em Luanda disse ao Observador que foi Rites e não Mário Leite da Silva a peça instrumental para os negócios da Candando, em setembro de 2015, em que a filha do Presidente rompeu uma parceria com o Continente, da Sonae, e lançou a sua própria cadeia de supermercados. Na altura, Mário Leite da Silva tinha – e tem, até hoje – que conviver com a Sonae (mais concretamente com Ângelo Paupério e Cláudia Azevedo) na Nos, onde todos são administradores não executivos.

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