A temperatura atingiu um novo recorde na Antártida na quinta-feira, chegando aos 18,3 graus, valor mais alto desde 1961, avança o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina. Numa publicação no twitter, o SMN partilhou os dados recolhidos pela estação meteorológica argentina Esperanza, que registaram mais 0,8 graus do que o recorde de março de 2015, que atingiu os 17,5 graus.

Na mesma publicação partilhada no twitter do SMN foram também divulgados os valores registados pela Base Marambio, uma outra estação meteorológica argentina: registou o valor mais alto para um mês de fevereiro desde 1971, 14,1 graus, mais 0,3 graus que em fevereiro de 2013.

De acordo com a Organização Mundial de Meteorologia, a península da Antártida está entre as regiões do planeta com aquecimento mais rápido, tendo aumentado quase 3 graus nos últimos 50 anos. James Renwick, um climatologista da Universidade Victoria, na Austrália, que já foi membro da organização, confessou ao jornal The Guardian que o valor registado este ano, quase um grau acima do recorde de há 5 anos, é “impressionante”.

Esta leitura é impressionante porque o anterior recorde foi registado há apenas cinco anos e este é quase um grau superior. É um sinal da velocidade a que o aquecimento global tem acontecido por aqui, que é muito superior à média”, afirmou.

A subida significativa das temperaturas, provocada pelas alterações climáticas, tem causado o degelo de blocos inteiros de glaciares na Antártida. Nerilie Abram, meteorologista na Universidade Nacional Australiana, que tem vindo a desenvolver um estudo na ilha James Ross, na Antártida, confessou ao The Guardian que “até os aumentos pequenos na temperatura pode levar a grandes aumentos na energia que derrete o gelo”. “A consequência é o colapso das ‘prateleiras de gelo’ ao longo da península. É uma área que está a aquecer muito depressa”, acrescentou, dizendo que “por vezes pode estar quente o suficiente para usar uma ‘t-shirt'”.

Os efeitos do aquecimento global têm também alertado os especialistas russos. A cidade de Tyumen, na Sibéria, tem registado temperaturas de 1,5 graus, quando normalmente registaria 13 graus negativos nesta altura do ano e a floresta Taiga está a avançar para o Ártico, segundo o The Moscow Times.