O ministro das Finanças, Mário Centeno, “já se despediu do Eurogrupo”, de que é presidente, avançou Marques Mendes, no seu espaço de comentário na SIC. “Em janeiro, numa reunião do Eurogrupo, [Mário Centeno] comunicou de forma informal aos seus colegas ministros das Finanças que não era recandidato a presidente do Eurogrupo”, disse Marques Mendes.

O comentador adiantou ainda que Centeno “vai mesmo sair do Governo” e vai para o cargo de governador do Banco de Portugal “daqui a uns meses”, sucedendo a Carlos Costa.

Após a aprovação do Orçamento do Estado, o ministro das Finanças foi questionado várias vezes sobre a sua continuidade no Executivo de António Costa, mas Mário Centeno nunca se comprometeu. Em entrevista à RTP, garantiu que está “totalmente focado” nas suas funções. “Neste momento, estou Ministro das Finanças. É exatamente isso que me importa, amanhã continuarei o meu trabalho”. Até quando? “O até quando, nas nossas vidas, e em particular nestas funções de político é um exercício de adivinhação” que Centeno não quer fazer.

Governo arrisca “cair em 2022” se António Costa não formar nova geringonça

Quanto ao futuro do Governo, Luís Marques Mendes considera que a “vitória pífia de António Costa e do PS” sobre a redução do IVA da eletricidade corre “o risco de ser o princípio do pântano”. “Acho que todos os sinais de um pântano estão aí”, aponta o comentador, referindo-se ao facto de o governo ser minoritário (“não tem apoio parlamentar seguro” e as “negociações caso a caso são cada vez mais uma dor de cabeça”) e de o Governo estar a “banalizar-se ao ameaçar permanentemente com a demissão”. “Um dia destes nunca ninguém o leva a sério.”

A solução, segundo Marques Mendes, passa por António Costa tirar “o coelho da cartola” e fazer “uma nova geringonça”. “Pode ser diferente da anterior, mas ou negoceia com parceiros ou vai ter problemas em 2021 ou um momento crítico em 2022″. A aprovação do Orçamento do Estado para 2022 “pode ser crítica” e, aí, “pode haver uma crise política”. “Aí, sim, o Governo pode cair”. Por isso, “António Costa só tem como solução: encontrar uma geringonça (…) Os problemas no Parlamento do ponto de vista de governabilidade estão a surgir mais rápido do que se imaginava.”

Sobre a discussão na especialidade do IVA da eletricidade — que levou o PSD a recuar e a não aprovar uma proposta do PCP que minutos antes dissera que apoiava — Marques Mendes considera que o partido de Rui Rio “não saiu muito bem” e foi um dos “vencidos”, ao “dar o dito por não dito”, mostrou uma imagem de “desnorte”. “Não lhe ficou bem.” Já o Bloco de Esquerda “acabou isolado na sua estratégia.”

O “grande vencedor”, para Marques Mendes, foi o Governo, que teve “habilidade negocial” com o PCP e o CDS. Mas também “ganhou o PCP porque isolou o Bloco de Esquerda, que é o seu grande adversário”.

Rui Rio “tem a seu favor o desgaste do Governo”

No rescaldo do congresso do PSD, o comentador acredita que o presidente social-democrata “vai ter a vida mais facilitada nos próximos dois anos”. Por um lado, “não vai ter oposição interna organizada”; por outro lado, “vai contar a favor dele o desgaste do Governo. Isso vai notar-se entre este ano e 2021.”

Se as eleições forem antecipadas, Rui Rio “terá António Costa como adversário”, mas “se as eleições forem no fim da legislatura, aí António Costa já não vai a jogo, e Rui Rio não disputa” as eleições contra o atual primeiro-ministro. “É mais fácil concorrer com o sucessor de António Costa do que com António Costa.”

Ainda sobre o congresso que este fim de semana juntou os sociais-democratas em Viana do Castelo, para Marques Mendes “houve muitos diagnósticos, mas faltam causas e soluções”, nomeadamente no ambiente, na saúde e na economia, considerando ainda que os discursos de Rio “não foram marcantes” mas foram “bem estruturados”.