Os espanhóis do Abanca anunciaram esta segunda-feira que chegaram a acordo para a compra de 95% das ações do EuroBic, informou o banco em comunicado. É a quinta aquisição que o banco faz desde 2014 e a segunda em Portugal, já que o grupo já tinha comprado as operações de retalho do Deutsche Bank.

“A primeira aquisição foi a integração em 2014 do Banco Etcheverría; em 2017, foi realizada a compra de Popular Servicios Financieros; em 2018, o ABANCA comprou o DB PCB e também no mesmo ano comprou à Caixa Geral de Depósitos o seu banco em Espanha, o Banco Caixa Geral. Com a compra do DB PCB, o ABANCA tem atualmente em Portugal 70 agências, com 500 colaboradores e mais de 80.000 clientes”, assinala o banco em comunicado.

O acordo de compra do EuroBic está sujeito, como acontece neste tipo de operações, a um processo de due dilligence e às autorizações das autoridades regulatórias.

“O Banco de Portugal foi informado em detalhe dos termos da operação”, garante a instituição, que faz acompanhar o comunicado de imprensa com uma foto do presidente do banco, Fernando Teixeira dos Santos, ao lado de Juan Carlos Escotet, o presidente hispano-venezuelano do Abanca.

Em comunicado, o Banco de Portugal disse que “foi hoje [segunda-feira] informado que o Abanca e o EuroBic assinaram um memorando de entendimento tendo em vista a aquisição pelo Abanca da maioria do capital do EuroBic”. “Em conformidade com o previsto na lei e regulamentos europeus aplicáveis, esta aquisição está sujeita à autorização do Banco Central Europeu, em articulação com o Banco de Portugal, uma vez recebida e analisada a informação exigível”, acrescenta o regulador, sem mais comentários.

Na sequência das revelações do Luanda Leaks, o Banco de Portugal fez pressão no sentido de haver uma alteração da estrutura acionista do Eurobic, com a saída de Isabel dos Santos, que detinha 42,5% do banco. O seu sócio em Angola Fernando Teles acabou por, também, vender a sua participação.

O homem que geria um banco com “walkie talkies” (e os outros donos do EuroBic)

O Abanca, que tem sede na Galiza, diz ser a “sétima entidade” financeira espanhola por fundos próprios e o banco que “lidera no noroeste da Península Ibérica”. Ao todo tem “cerca de 800 agências” espalhadas por 12 países da Europa e continente americano e uma equipa formada por mais de 6.000 profissionais.

No fecho de 2019, o resultado líquido do Abanca foi de 405 milhões de euros, mais 6,7% do que em 2018, com uma rentabilidade (ROE) que alcançou os 10%.

O banco teve em 2019 um volume de negócio de 85.079 milhões de euros, 36.792 milhões em créditos e 48.286 milhões em recursos de clientes, com uma taxa de incumprimento de 2,8% e uma taxa de cobertura de 57,5%.