A organização do Mobile World Congress, a GSMA, cancelou o seu evento anual — para o qual eram esperadas 100 mil pessoas — devido ao surto do novo coronavírus, avançou a agência Bloomberg. A maior feira de smartphones do mundo realiza-se em Barcelona e a edição deste ano tinha data marcada para 24, 25, 26 e 27 de fevereiro.

A GSMA esteve reunida de emergência esta quarta-feira, pelas 14 horas (13 horas em Lisboa) para decidir se cancelaria o evento, avançou o El País. Enquanto a reunião estava ainda a decorrer, a GSMA fez uma breve declaração, afirmando que tinha decidido manter o plano inicial.

A organização alertou, contudo, “que a situação do coronavírus muda rapidamente”, motivo pelo qual continuariam a acompanhar de perto a situação. “Isso inclui reuniões regulares com especialistas em saúde, espanhóis e outros países, bem como com os nossos parceiros, para garantir a saúde dos visitantes”, afirmaram.

No final da reunião, a decisão já era outra: o evento acabaria por ser cancelado. Desde o fim de semana passado que várias empresas tecnológicas têm vindo a anunciar publicamente que não iriam ao evento por estarem preocupadas com o surto da nova estirpe do conoravírus. As últimas empresas a desistirem foram a Nokia, Deutsche Telekom e da McAfee .

Cancelar o evento comporta custo avultados. O El País diz que, só para os participantes, terá um custo de 500 milhões de euros e ninguém sabe ainda quem poderá ser responsável por estas despesas — se as empresas ou a organização do evento. O seguro do evento naõ cobre contingências como uma epidemia.

As desistências e os cuidados extra que não valeram de nada

Na terça-feira, o Facebook, a Intel e a Cisco cancelaram a participação no Mobile World Congress. E, antes, já a Amazon, a Sony ou a LG tinham desistido de participar. Antes de se ter a certeza sobre qual seria a decisão final dos organizadores, o El País contava que, na eventualidade de o MWC ser cancelado ou reagendado para a Primavera, todo o aluguer de espaços e infraestruturas teria de ser renegociado.

Na segunda-feira, as autoridades estavam confiantes de que o MWC ia contar com grande parte das 2.800 empresas e dos 100 mil participantes que eram esperados — o evento tem um impacto económico de 492 milhões de euros na cidade e emprega 14 mil pessoas a tempo parcial —, mesmo depois da desistência de várias tecnológicas.

A Samsung afirmava que iria na mesma ao MWC, mas com cuidados redobrados. Já a gigante chinesa Huawei afirmava manter os planos, pedindo aos funcionários chineses que ficassem em isolamento e contratando trabalhadores europeus para substitui-los.

A GSMA fez chegar aos jornalistas, no domingo, uma lista das medidas extra que iria ter em curso devido ao surto da nova estirpe do coronavírus. “A GSMA quer reassegurar os participantes e empresas expositoras que a sua saúde e segurança são a nossa principal preocupação, razão que nos leva a implementar medidas extras”, lia-se no comunicado enviado aos jornalistas.

A organização do evento comprometeu-se a não deixar entrar ninguém precedente da região chinesa de Hubai. Mais: todos os participantes teriam de provar que estiveram fora da China nos 14 dias que antecedessem o evento; seria implementado um sistema de triagem de temperatura dos participantes; e os participantes seriam obrigados a certificar-se de que não entraram em contacto com ninguém infetado.

“Com um plano adicional em andamento, vamos continuar a monitorizar a situação e adaptaremos os nossos planos de acordo com os desenvolvimentos [da situação] e com os conselhos que recebermos. Estamos a lidar com uma situação que está em constante evolução e que vai exigir uma rápida adaptabilidade”, lê-se.

O evento contaria ainda com um programa e material de desinfeção transversal a todas as áreas, com mais apoio médico, campanhas de sensibilização  uma linha de telefone de apoio médico disponível durante 24 horas por dia, ente outras.

A nova estirpe do coronavírus já matou 1.018 pessoas, superando o número de vítimas causadas pela estirpe anterior, a SARS. O número total de casos confirmados é de 42.638, dos quais 2.478 foram confirmados nas últimas 24 horas em território continental chinês. Além das 1.016 mortes confirmadas em território continental chinês, há também uma vítima mortal na região chinesa de Hong Kong e outra nas Filipinas.