Hernâni, conhecido também como o Furacão de Águeda, marcou nos minutos iniciais da segunda parte e deu a vitória ao FC Porto na final da Taça de Portugal de 1958, naquela que foi a segunda vitória dos azuis e brancos na competição e a primeira numa final contra os encarnados, “vingando” a goleada sofrida em 1953 (5-0). Mais de 60 anos depois, os dragões têm já um total de 16 troféus; no entanto, não mais conseguiram vencer o rival.

16 anos depois do triunfo do Benfica de José Antonio Camacho frente ao FC Porto campeão nacional e europeu de José Mourinho por 2-1, após prolongamento, o Jamor volta a receber o clássico numa final da Taça de Portugal. Um clássico que se repete pela décima ocasião. Um clássico que, à exceção daquele encontro em 1959 decidido por Hernâni, terminou sempre com festa em tons de vermelho, entre margens mínimas (1-0 em 1959, 1980 e 1983, 2-1 em 2004), triunfos mais convincentes (3-1 em 1981 e 1985) e goleadas (5-0 em 1953 e 6-2 em 1964).

É este o histórico que Sérgio Conceição, que perdeu as quatro finais que disputou na carreira (duas na Taça de Portugal incluindo uma pelo Sp. Braga, três pelo FC Porto juntando a Taça da Liga), tentará contrariar. Até por forma a dar prolongamento aos três triunfos nos últimos quatro encontros feitos diante das águias. E com um outro dado histórico a ter em consideração: evitar aquele que seria o maior jejum sem conquistas desde a primeira vitória na prova, em 1956, diante do Torreense (o último triunfo foi em 2011 frente ao V. Guimarães).

“Final no Jamor? A minha paixão e o meu amor é ganhar, sempre. A Taça de Portugal tem o mesmo sabor que as outras competições. Se metesse na balança ia escolher o Campeonato, como é óbvio, e depois a Taça. Mas vamos tentar tirar o máximo daquilo que foi este jogo, no sentido de conseguir a presença na final. A seu tempo falaremos da final. Agora há que pensar no jogo com o Vitória, em Guimarães, para o Campeonato”, disse Sérgio Conceição na flash interview da SportTV. “Final com o Benfica? Para nós é especial estar na final. Nós, FC Porto”, atirou.

“Vou confessar uma coisa: estes jogos são mais difíceis de preparar do que qualquer outro jogo. Enquanto jogador tive situações de Campeonato e taças, em que, inexplicavelmente, os níveis de concentração, naquilo que é preparado, não estão no máximo. Tentámos de todas as formas, estes jogos até dão mais trabalho do que outros. Não tivemos uma entrada tão boa quanto queríamos mas fomos crescendo ao longo dessas duas partes. A vitória é merecida. Cabia-nos assumir essa responsabilidade, de estar em mais uma final e de ter mais um objetivo cumprido, mas era algo que a equipa queria muito, estar outra vez no Jamor. A seu tempo falaremos na final que vamos ter, queremos ser mais felizes este ano”, disse no arranque, recordando a derrota do ano passado frente ao Sporting no desempate por grandes penalidades (tal como tinha acontecido na Taça da Liga).

“Olho para este jogo e penso que tinha que ter jogadores com as características dos que jogaram, que era preciso procurar espaços onde não havia, até porque o Ac. Viseu ia apresentar-se num bloco mais baixo. Nakajima, Corona, Luis Díaz, são todos jogadores que descobrem esses espaços com muita qualidade e isso foi a pensar neste jogo. Olhamos para o nosso momento e para os jogos que fizemos. O clássico foi desgastante no aspeto físico e mental. Demos uma boa resposta e os jogadores que entraram fizeram por ganhar o jogo”, acrescentou.