O presidente executivo dos CTT classificou de “profundamente injustas” e “pouco prudentes” as declarações feitas pelo presidente da Anacom (Autoridade Nacional das Comunicações) sobre a forma como a empresa encara a qualidade do serviço. João Bento foi questionado esta segunda-feira sobre as palavras de João Cadete de Matos, segundo as quais o pagamento de bónus aos gestores da empresa após a privatização depende mais da performance em bolsa das ações do que do cumprimento dos objetivos de qualidade do serviço.

A afirmação do presidente da Anacom, feita numa entrevista ao Jornal de Negócios Antena 1 ilustra o braço-de-ferro ente o regulador e a empresa de correios sobre as novas exigências associadas aos indicadores de qualidade. O CTT contestam a imposição de indicadores de qualidade “que são impossíveis de cumprir”, reafirmou João Bento, estando em curso uma ação no tribunal administrativo e outra em tribunal arbitral, uma vez que está em causa o contrato de serviço público assinado entre a empresa e o Estado.

Em resposta aos jornalistas, à margem da apresentação do novo posicionamento da marca CTT, João Bento recusou a sugestão de que a empresa e os seus gestores e trabalhadores não estejam comprometidos com a qualidade do serviço. A propósito do pagamento de bónus aos gestores, lembra que quando chegou à presidência executiva da empresa no ano passado reduziu em 25% o seu salário e em 15% a remuneração dos restantes membros do conselho de administração para “mostrar que estava preocupado com o futuro da empresa”.

Ainda que reconhece que há uma dimensão da remuneração variável dos gestores que depende da valorização em bolsa dos CTT, lembra que são cinco pessoas num universo de 12500 colaboradores, daí que considere “pouco prudente a generalização”. Sobre a impossibilidade de cumprir os novos indicadores de qualidade de serviço impostos pelo regulador para os últimos dois anos do contrato do serviço postal universal, João Bento, lembra que em sete desses novos indicadores basta que a empresa não consiga atingir os 99,99% (falhar duas vezes em mil) para não cumprir. João Bento rejeitou ainda a afirmação de Cadete de Matos, segundo o qual os CTT já cumpriram no passado estes níveis de qualidade de serviço.

O presidente dos CTT reafirmou ainda o o objetivo de reabrir as lojas dos correios que fecharam nas sedes de concelho, considerando que a empresa deve ter uma presença direta em todo o país, posição que já transmitiu no âmbito da consulta pública sobre o novo contrato de concessão do serviço universal. Esta semana vai reabrir a loja do Redondo.

A empresa apresentou esta segunda-feira a nova imagem institucional, que pretende ser mais simples e dirigida aos clientes. O novo site e a nova app vai concentrar produtos e serviços que estavam dispersos e reforçar a ideia de uma empresa que está presente em toda a cadeia do comércio eletrónico, sob o lema “os CTT são o operador de entrega total”. Um dos serviços que a empresa quer reforçar é o de venda eletrónica de bilhetes com mais oferta e parcerias com operadores desta área.