O fabricante de calçado Alberto Sousa Lda, em Vizela, despediu 150 trabalhadores na segunda-feira sem entregar a documentação necessária para que estes tenham acesso ao subsídio de desemprego, avançou o Dinheiro Vivo na última segunda-feira. A empresa, conhecida pela marca Eureka, tinha já anunciado o encerramento de 13 lojas em Portugal, sob a estratégia “Eureka is disconnecting”. Nas redes sociais, veiculou uma mensagem de despedida assinada pela “(ainda) Equipa Eureka Shoes”.

Na carta entregue em mãos, esta segunda-feira, pelos dois administradores da empresa, Alberto e Filipe Sousa, acompanhados por dois advogados, o fecho é justificado com “motivos de ordem económica” da empresa, que se prepara para “se apresentar à insolvência”. A carta explica ainda que, por não ter salários em atraso, a lei não permite que cesse, “de imediato, os contratos de trabalho”, garantindo que a medida foi “indispensável”, uma vez que a empresa “não reúne condições financeiras para continuar a pagar salários”.

O Sindicato do Calçado do Minho e Trás-os-Montes já fez uma participação à Autoridade para as Condições do Trabalho.

Foi uma surpresa até para nós. Os funcionários trabalharam até ao último minuto, sem qualquer aviso prévio. Até porque não têm salários em atraso. E a empresa liquidou hoje [segunda-feira] mesmo os 16 dias de trabalho de fevereiro”, disse Aida Sá, dirigente do sindicato, de declarações ao Dinheiro Vivo.

Ténis Eureka, verão de 2018 © Divulgação

Em Milão, na maior feira de calçado do mundo, a Asial – Indústria de Calçado, Lda, uma outra empresa do Grupo Eureka, apresenta por estes dias a esc, uma nova marca de calçado do grupo e que chegou ao Instagram no final da tarde da última segunda-feira. A nova marca criou ainda um site com uma contagem decrescente e um formulário de registo. Ao que tudo indica, mais novidades sobre a esc serão reveladas na próxima segunda-feira.

A Asial tem como sócio gerente Filipe Sousa, foi fundada em 1988 e emprega cerca de 9o pessoas. Alberto Sousa, pai do primeiro, é o fundador (1986) e o sócio gerente da empresa que avançou com o despedimento de 150 trabalhadores na segunda-feira. As duas empresas partilham a mesma morada e contactos. Contactado pelo Observador, Filipe Sousa não quis prestar qualquer esclarecimento sobre a esc, fazendo passar a mensagem de que a nova marca “não tem nada a ver com a Eureka”.

Ao Observador, a APPICAPS esclareceu que a marca Eureka sempre se fez representar na MICAM através da Asial e nunca por via da empresa detentora, a Alberto Sousa, Lda.

O Observador soube, entretanto, que vários funcionários ligados à rede lojas Eureka transitaram para a nova marca, que se prepara para abrir pontos de venda já a partir de março, em localizações coincidentes com os espaços comerciais explorados pela marca agora extinta.

Há cerca de dois anos, as dificuldades financeiras da Alberto Sousa, Lda vieram a público. Os 22 milhões de euros em dívidas a 622 credores levaram a empresa a recorrer a um Processo Especial de Revitalização. “Não há capacidade financeira no modelo atual da empresa para responder as necessidades que o retalho tem em termos financeiros”, explicou o advogado de Alberto de Sousa, José Nogueira, ao Eco, no final de janeiro, a propósito do encerramento da rede de lojas.

Em causa estavam 32 funcionários que o mesmo advogado assegurou terem sido, na maioria, absorvidos por outras empresas do grupo. O mesmo representante, garantiu ainda a continuidade da fábrica de Vizela, ressalvando apenas que a empresa se iria dedicar “exclusivamente à componente industrial”.

Artigo atualizado no dia 18 de fevereiro, às 12h50.