O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) vai discutir na quarta-feira as questões éticas do progresso tecnológico e a necessidade da regulamentação na era da transformação digital.

A regulamentação “é já hoje um grande desafio para os partidos políticos”, refere um comunicado daquela instituição de ensino superior enviado à agência Lusa.

A regulação corre o risco de andar sempre atrás da realidade. Construir um quadro regulamentar, tanto em Portugal como na Europa, é um processo moroso e de consulta alargada. O modo como regulamentamos terá de ser mais proativo, diferente do que tem vindo a acontecer”, afirma o especialista António Cunha.

Segundo o professor universitário e orador na conferência, para que a regulação “ande a par e passo com a tecnologia, como se tem vindo a defender, deve haver um trabalho conjunto entre os reguladores e os técnicos que desenvolvem a tecnologia”.

O antigo reitor da Universidade do Minho e presidente do Laboratório Colaborativo em Transformação Digital considera que o progresso da inovação tecnológica vai trazer dilemas éticos e revolucionar a sociedade como hoje se conhece, pelo que “há valores a preservar na relação entre o Humano e a máquina”.

António Cunha, também ex-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, salienta que o avanço acelerado da inteligência artificial, da robótica, da Internet e da automação, “levanta novos desafios éticos à sociedade e vai conduzir a um novo modelo de sociedade”.

É urgente discutir os limites e os valores na interação entre os humanos e as máquinas” refere o especialista, frisando que as questões éticas, na transformação tecnológica em curso, resultam dos novos paradigmas de relacionamento entre os humanos e as máquinas: a fronteira entre o humano e o tecnológico será cada vez mais difusa.

Segundo António Cunha, a sociedade está a enfrentar situações novas “que envolvem humanos e sistemas tecnológicos com elevado grau de autonomia, como os robôs com sistemas avançados de inteligência artificial, o que exige uma revisitação dos valores humanos a preservar”.

Os cruzamentos entre a tecnologia e a vida, ou seja, entre a realidade e o mundo virtual, terão implicações na economia, no mercado de trabalho, nos conceitos éticos e nas relações interpessoais”, sustenta.

No futuro, considera, a sociedade terá de definir o papel que as máquinas vão ocupar, porque vão existir “robôs com capacidade de aprender e evoluir, bem como de perceber e antecipar emoções de humanos, que trazem medos, angústias e inquietações aos cidadãos”.

A conferência “Engenharia e Inovação no Contexto da Transformação Digital”, inserida no Ciclo de Conferências Excelência XXI, decorre na quarta-feira, nas instalações do ISEC, a partir das 15h, com moderação de António Piedade, comunicador de ciência.