Os Quatro e Meia lançam em abril o seu segundo álbum, “O Tempo Vai Esperar”, com a participação de Carlão e Pedro Tatanka, num trabalho onde há mais diálogo da música popular portuguesa com outros géneros.

Os Quatro e Meia, banda formada em Coimbra, tiveram como álbum de estreia “Os Pontos nos Is”, em 2017, seguindo-se agora “O Tempo Vai Esperar”, um disco com dez faixas, que inclui a participação do ‘rapper’ Carlão e do vocalista dos Black Mamba, Pedro Tatanka.

O novo trabalho representa um amadurecimento da banda, com outra preocupação na construção das músicas, disse à agência Lusa um dos elementos do grupo, Tiago Nogueira.

No disco, está também mais presente um diálogo da música popular portuguesa com outros géneros, como é o caso do hip-hop na faixa em que participa Carlão, assim como a introdução de outros instrumentos.

“Continuamos a ter os mesmos instrumentos que estão no outro álbum, que nos vinculam mais à terra, como o bandolim, o acordeão e o contrabaixo, mas neste segundo álbum também temos o piano ou a guitarra elétrica”, refere Tiago Nogueira, salientando que houve uma procura pela experiência “de coisas novas”.

Outra das novidades, contou, foi a banda ter gravado no estúdio do músico João Só, que é também o produtor do álbum, o que levou a uma forma diferente de construção das músicas.

“É bom ter alguém neutro em relação ao projeto, a dar uma opinião sobre o que estamos a construir e isso gera uma discussão e torna as músicas forçosamente diferentes para bem”, nota o membro d’Os Quatro e Meia.

A banda, formada por três médicos, dois engenheiros e um professor, começou em 2013, num sarau no Teatro Académico de Gil Vicente, com o nome inventado a cinco minutos do começo do espetáculo, em que tocaram versões de outros artistas, alguns que acabariam por influenciar a forma como fazem música: Miguel Araújo, João Gil e Rui Veloso.

Os concertos foram-se somando e, no final desse ano, lançaram o primeiro original.

Em 2016, surgiram dois convites “inesperados” da agência Primeira Linha, para agenciamento de concertos, e da editora Sony, para um contrato de lançamento de dois discos.

“Foi estranhíssimo. Nós não tínhamos noção que estávamos a fazer um trabalho que estava a despertar a atenção de pessoas de fora de Coimbra. Pensávamos que era uma coisa muito local”, recorda Tiago Nogueira.

Entretanto, já esgotaram Coliseu do Porto e de Lisboa, Casa da Música e três noites seguidas no Convento São Francisco, em Coimbra.

“Sempre que nos marcavam um concerto para uma sala com mais de 600 lugares achávamos uma loucura”, confessa o músico.

Para Mário Ferreira, também da banda, o contrato com a Sony mudou a postura da banda.

“Aí percebemos que tínhamos que arregaçar as mangas e trabalhar. Percebemos que temos que gravar as coisas a tempo, tratar da comunicação, da estrutura técnica”, nota, salientando que este novo álbum também representa uma abordagem mais madura, especialmente na gravação em estúdio.

Apesar das mudanças nos últimos três anos, os vários membros do grupo não pensam em largar as suas profissões e dedicar-se em exclusivo à música.

“Gostamos todos das nossas profissões e essa independência financeira é emocionalmente boa”, vincou Tiago Nogueira.

Os Quatro e Meia são João Rodrigues, Mário Ferreira, Pedro Figueiredo, Ricardo Almeida, Rui Marques e Tiago Nogueira.