Uma carta aberta da Associação Portuguesa de Ciência de Dados para o Bem Social (DSSG PT), assinada por várias entidades portuguesas da área da saúde, nomeadamente a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, refere que, embora a comunicação de dados relativos à Covid-19 por parte da Direção-Geral de Saúde (DGS) “tenha melhorado ao longo da epidemia”, esta tem sido pautado por “muitos atrasos, retrocessos, inconsistências e más práticas de partilha de dados”.

De acordo com este documento, intitulado “Por uma melhor estratégia de dados da Direção-Geral de Saúde no combate à epidemia Covid-19 em Portugal”, citado pelo Jornal de Negócios, alguns destes problemas “dever-se-ão a erros humanos — totalmente compreensíveis — por parte de quadros clínicos sob grande pressão e elevadas cargas de trabalho”, mas outros, “mais fundamentais”, revelam “sintomas claros da ausência de um verdadeiro Sistema de Informação para a Saúde Pública e de uma cultura sistemática e enraizada de dados”.

Entre estes contam-se, por exemplo, as “constantes mudanças no formato do boletim em termos de aspeto e estrutura, o que dificulta abordagens mais avançadas para extração automática de dados”; “o grande diferencial entre a data de publicação dos dados e a data a que dizem respeito (12h), numa situação em constante evolução e que exige respostas rápidas e informadas”; ou ainda a “paragem na atualização dos dados relativos à linha SNS24 a partir de 9 de março, no portal Transparência – SNS, numa altura em que foram levantadas muitas questões acerca da sua capacidade e eficácia”.

Por estas e outras razões, e “na tentativa de colmatar a inexistência de uma estratégia de dados abertos por parte da DGS do Ministério da Saúde Português”, a DSSG PT propõe contribuir com ajuda técnica e estratégica, disponibilizando “em formatos facilmente processáveis e nativos da comunidade analítica (…), da forma mais atempada possível, todos os dados que a DGS vai disponibilizando”. Neste sentido, foi criado o repositório de dados covid19-pt-data, “um espaço centralizador de dados oficiais em formatos de fácil processamento, e que rapidamente acumulou milhares de visualizações e variados utilizadores, tanto institucionais como individuais”, de acordo com a mesma entidade.