Um em cada três participantes de um inquérito do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) sobre a adaptação à covid-19 afirmou sentir frustração por não cumprir rotinas e todos admitiram sentir esperança em relação ao futuro.

Os dados divulgados esta segunda-feira no relatório “Diários de uma Pandemia”, iniciativa desenvolvida do ISPUP e pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no Porto, contaram com a participação de 3.432 pessoas, com idades entre os 16 e 89 anos.

“Este estudo inclui em particular um questionário cobrindo a perceção do bem-estar emocional (…) que permite conhecer como, durante a primeira semana dos diários, os participantes viveram e sumariaram o seu bem-estar”, lê-se no documento enviado à agência Lusa.

De acordo com o relatório, um terço dos participantes afirmou sentir “muitas vezes” frustração por não cumprir a rotina diária (32,3%), sensação que foi frequente nos mais “novos” e que, tendencialmente, “diminuiu com a idade”.

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Paralelamente, apenas 26,8% dos inquiridos referiram “nunca ou quase nunca” ter sentido dificuldade em lidar com a atual situação e 18,7% afirmou “nunca ou quase nunca” ter perdido o controlo sobre a mesma.

No entanto, durante a última semana, 25,5% dos participantes afirmaram ter sentido tristeza, desespero e depressão, sentimentos que foram mais declarados pelas mulheres e pelos inquiridos mais jovens.

Questionados sobre o medo e a ansiedade, foram também os mais jovens que afirmaram sentir “sempre ou quase sempre”, sendo que 21,1% dos participantes afirmou ter sentido “muitas vezes medo como se algo de terrível estivesse para acontecer” e 27,6% disse ter medo de ser infetado.

O relatório salienta ainda que 62,4% dos participantes afirmou ter medo pela própria saúde e pela saúde dos seus entes queridos, no entanto, a frequência “diminuiu claramente com o grau de escolaridade”, com apenas 15,6% dos inquiridos que possuíam o Ensino Superior a afirmar ter sentido “sempre ou quase sempre”.

Paralelamente, cerca de um quarto dos inquiridos declarou ter tido “muitas vezes” dificuldade em adormecer e apenas 5,9% referiu ter tido pesadelos sobre a pandemia da covid-19.

Quando questionados no relatório se sentiam esperança em relação ao futuro, “praticamente todos os participantes afirmaram que sim” e dois terços sentiram “muitas vezes” essa esperança ao longo da semana (46,7%).

Segundo o documento, esse sentimento foi particularmente mais referido pelos homens com mais de 60 anos, sendo que, no caso das mulheres, não se verificaram diferenças entre as diferentes classes etárias.

Nesta matéria, não se verificaram ainda diferenças quanto ao grau de escolaridade ou região democrática.

A iniciativa, também desenvolvida em colaboração com jornal Público, visa, com base em dados sobre as rotinas diárias da população, compreender a adaptação à covid-19.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 114 mil mortos e infetou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, segundo o balanço feito esta segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde, registam-se 535 mortos, mais 31 do que no domingo (+6,2%), e 16.934 casos de infeção confirmados, o que representa um aumento de 349 (+2,1%).