Uma equipa internacional, liderada por investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), concluiu que a diversidade genética da bactéria que provoca a tuberculose pode influenciar a forma como a doença se manifesta.

Em comunicado, o i3S adianta esta sexta-feira que o estudo, publicado na revista Nature Communications, mostrou que a diversidade genética da bactéria que causa a tuberculose – Mycobacterium tuberculosis – “é mais importante do que o inicialmente previsto e, por isso, um fator a ter em conta em toda a investigação sobre tuberculose e numa futura vacina”.

“A diversidade genética da bactéria Mycobacterium tuberculosis é bastante limitada, por isso durante muito tempo pensou-se que não teria relevância funcional. Os investigadores mostram neste estudo que isso não é verdade”, salienta o instituto da Universidade do Porto (U.Porto).

Estes resultados surgem depois dos investigadores terem analisado 813 doentes com tuberculose do Centro Hospitalar Universitário de São João e os ter dividido em três grupos distintos: tuberculose ligeira, moderada e severa.

Segundo o i3S, depois desta divisão, o grupo decidiu focar-se nos indivíduos que tiveram tuberculose sem outras doenças associadas, “o que reduziu o grupo a 190”.

“Analisaram geneticamente as bactérias destes indivíduos e verificaram que, apesar de as diferenças serem pequenas, as mutações existiam“, explica o instituto, adiantando que em doentes com formas de tuberculose mais severas, a bactéria “consegue espaçar à vigilância dos macrófagos”, ou seja, as primeiras células que alertam o organismo da presença de um agente infeccioso.

“A resposta imunológica inicial não funciona no seu potencial máximo, o que pode explicar o subsequente desenvolvimento de tuberculoses mais severas”, adianta o i3S.

Citada no comunicado, Margarida Saraiva, líder do grupo de investigação, explica que os resultados agora publicados são o reflexo de “sete anos de trabalho” de uma equipa composta por biólogos, bioinformáticos, microbiologistas, geneticistas e clínicos, o que permitiu “abordar o tema de forma complexa e holística”.

“O que nós descobrirmos é que diferentes Mycobacterium tuberculosis, mesmo que geneticamente muito semelhantes, diferem na sua capacidade de estimular os macrófagos. Em particular, as bactérias isoladas de doentes com formas severas de tuberculose apresentam a capacidade de ‘escapar’ aos mecanismos que os macrófagos possuem para alertar o organismo da presença de um agente infeccioso”, salienta.

Acrescenta que a descoberta é “particularmente importante para a investigação na área da tuberculose”, tendo por isso de ser “incorporada em toda a investigação laboratorial”.

“Quando falamos em vacinação temos também de ter em conta essa variedade genética da bactéria que causa a tuberculose”, conclui.