O Serviço Federal de Segurança da Rússia deteve, esta terça-feira, um jornalista japonês do jornal Hokkaido Shimbun por suspeitas de espionagem. O jornalista tinha a saída prevista do país para esta terça, mas foi detido num hotel em Yuzhno-Sakhalinsk, no Extremo Oriente russo.

O jornalista, cujo nome não foi divulgado, terá “procedido à recolha e armazenamento de informações sobre o número de participantes mobilizados e voluntários da operação militar especial [termo russo para descrever a guerra da Ucrânia] entre os habitantes das Ilhas Curilas”, em nome dos serviços de informações japoneses, refere a agência de notícias TASS. As Ilhas Curilas são um território disputado entre a Rússia e o Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

No entanto, o processo do Tribunal Distrital de Lefortovsky, em Moscovo, identifica o jornalista como sendo Imai Yuki, de 34 anos, e diz que tinha chegado à Rússia no verão.

Escreveu vários artigos sobre temas como as eleições legislativas russas e as relações entre Moscovo e Pyongyang. O último artigo, datado de 5 de outubro, foi sobre a presença de norte-coreanos em Sacalina, no Extremo Oriente, referem as publicações russas independentes Novaya Gazeta e Meduza.

“Lamentam-se as tentativas de Tóquio de recorrer aos seus correspondentes presentes na Rússia, que possuem o estatuto de jornalistas estrangeiros, para a recolha de informações com o objetivo de minar a segurança do nosso Estado. Não podemos deixar de assinalar que o acontecimento de hoje não é um caso isolado”, afirmou Maria Zakharova, porta-voz da diplomacia russa, em comunicado.

As secretas russas afirmam também que o jornalista terá “atribuído repetidamente missões específicas a cidadãos locais para a recolha desses dados”.

O Governo não comentou a detenção, assim como o jornal Hokkaido Shimbun. No entanto, noticiou a detenção, referindo que, de acordo com a comunicação social russa, o jornalista foi transferido para um tribunal de Moscovo, onde o juiz aprovou a prisão preventiva durante um período de dois meses. Pode enfrentar uma pena de até 20 anos de prisão.

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